Olho o
relógio na parede da cozinha
Sinto que
me diz algo em surdina
Apesar
de saber que estou sozinha
Há uma
presença que me causa adrenalina
Oiço o
barulho dos ponteiros
Tudo o
resto foi silenciado
Tornaram-se
peritos alcoviteiros
Sempre
com pressa em passar o recado
O relógio
insiste na sua rapidez
E ocupa
o meu tempo precioso
Peço-lhe
só um pouco de sensatez
Preciso
quebrar este ciclo vicioso
Por momentos
o som é quase inaudível
Percebo
que é agora o meu momento
Invento
depressa uma mentira credível
E abandono
o local sem consentimento



