Somos meras peças
de xadrez
Num tabuleiro feito
de madeira barata
A originalidade
atingiu um nível alto de escassez
Iludimo-nos com o
brilho do aço, pensando ser prata
Somos simples
varais ao sabor da ventania
De nós nada se
espera de extraordinário
A coragem foi
despejada e levou a valentia
Joga-se pelo seguro
sempre dentro do horário
Somos rascunhos
ainda na caixa dos eliminados
O dom da palavra
fugiu de nós a sete pés
Contentamo-nos com
a posição dos derrotados
Sempre à beira-mar
nunca a remar contra as marés
Somos os
passarinhos, assustados, no ninho
À mercê de quem nos
quiser alimentar
Não sabemos
priorizar e acertar no caminho
As asas nunca
nascem a quem não quer voar
Somos os rasgões
nas calças da juventude
Deixamos crescer
assim o futuro do novo mundo
Para quê replantar
a tão necessária virtude
Se ajudámos o
planeta a tornar-se vagabundo
Podemos ser o
amanhecer mais brilhante
Que transborda de uma
nova oportunidade
Podemos fazer
renascer a ajuda constante
E devolver ao mundo
a saudosa humanidade
