Alguém tocou à
campainha, insistentemente
O barulho trouxe-me
de volta ao presente
A preguiça tomou
conta do meu esqueleto
Sinto-me como um
telefone fixo, obsoleto
Arrasto-me até à
janela para ver quem toca
Será alguém a
vender alguma engenhoca?
Para bem ou mal do
meu, simples, pecado
Era o carteiro com
um embrulho registado
Depois das
formalidades da dita recepção
A curiosidade tomou
conta da minha mão
Abri a
correspondência com perfeita rapidez
E dei de caras com
a gratuita malvadez
Embrulhado num
papel, verde, reciclado
Vinha o meu futuro,
com indicação de expirado
Não apreciei o
gesto nem a indirecta
Sou pessoa de
conhecer e, atingir a minha meta
No dia seguinte
dirigi-me ao posto do correio
E devolvi o
embrulho, desta vez mais cheio
Além de um bilhete
com a devida reclamação
Juntei cópia das
atitudes da minha determinação
Fiquem descansados
que ao futuro irei chegar
Mesmo não sendo em primeiro,
obterei um bom lugar

