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terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Onde encontro o Natal


É no sorriso de um estranho
Despretensioso e sem tamanho
Onde encontro o Natal
É no calor da lareira que arde
E no sol que aparece de tarde
Onde encontro o Natal

É na vez cedida a um idoso
O atendimento está p’ra lá de moroso
Onde encontro o Natal
É no vizinho que partilha os ovos
Já assim era nos antigos povos
Onde encontro o Natal

É na ajuda sem contrapartida
Que semeia o melhor da vida
Onde encontro o Natal
É na oração pelo doente
Quem ama, sofre e sente
Onde encontro o Natal

É na guarida ao animal abandonado
Ninguém nasce desabrigado
Onde encontro o Natal
É na segunda oportunidade
O mundo constrói-se da fraternidade
Onde encontro o Natal

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Será Natal?


Dizem por aí que é Natal!
Não será antes um puro consumismo
Disfarçado do mais barato eufemismo?
Não se vê nenhuma vontade
Nem de dar a simples liberdade
Quanto mais o necessário
Como um belo breviário!
Pois eu cá p’ra mim não é Natal
Pelo menos daquele que é real
De Amor, de Paz, Compreensão,
De Alegria, Bondade e Devoção.
É apenas o decorar da varanda
E se calhar porque a obrigação manda!
É ter o piscar de luzes mais brejeiro
Que o da vizinha e do bairro inteiro.
Não se ouve tocar dentro de nós
Aquela balada que até nos leva a voz,
Só se sente sair do bolso a carteira
P’ra se colocar mesmo em frente da ceifeira.
Mas continuamos a dizer que é Natal
E que se pode tudo, que não faz mal!
Mais parece que estamos na marquesa
Para a mais comum das operações
É que estas cataratas de certeza
Que nos deixam ceguinhos e charlatões!
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