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sexta-feira, 29 de maio de 2020

Pastor Serafim


O pastor Serafim
Não sabe que o mundo tem fim
Pensa que as terras por onde passa
E lhe servem de praça
São o começo e o final
Da sua vida e da sua prole
animal

O Sol ainda não abriu a janela
E já o pastor segue em fileira
O seu rebanho vai pela viela
No caminho que os leva à
ribeira

Os sonhos ainda aparecem
Porque os ideais nunca se esquecem
Mas o Serafim finge não os conhecer
É que estar vivo sem viver
Por muito que não se queira mostrar
Há sempre quem acabe por notar.
Então disfarça-se a verdade
Para um homem de meia idade
Poder o seu rebanho conduzir
E pensar que o seu sonho acabou por se cumprir.

O cajado não deixa enganar
O destino que o Serafim tinha traçado
O pai foi quem o ensinou a usar
Para não deixar morrer o
legado

Sentado à sombra da meia tarde
Olha o rebanho, sua família fiel
Nem o Sol nos olhos lhe arde
Qual pintura a
pincel

O badalo ajuda o pastor
A controlar o que tem de maior valor
E na hora do regresso a casa
O Serafim quase nem mexe uma asa
Basta assobiar a sua melodia
Que o seu rebanho sabe que acabou o
dia

O caminho de volta é feito quase vendado
Tantas são as vezes que é pisado
O Serafim guarda os seus amigos até ao dia seguinte
E recebe a noite como um simples
pedinte


terça-feira, 26 de maio de 2020

Desejo, Amor


Desejo amor, estrelas no teu céu

Aprende a dar valor, evita ser um réu

Desejo amor, chuva na tua horta

Ao bom trabalhador, abre-se sempre a porta

 

Desejo amor, flores no teu caminho

Não guardes rancor, o carma não trabalha sozinho

Desejo amor, fartura na tua mesa

Que não conheças a dor de quem tem a alma presa

 

Desejo amor, um anoitecer abençoado

Nunca te ache o terror, que se alimenta do abandonado

Desejo amor, que te encontre a felicidade

Recebe-a como um senhor, mostra-lhe sinceridade


quinta-feira, 21 de maio de 2020

Livra-me do Invejoso


Pela estrada que tenho de seguir

Peço-Te, protege-me de cair

Que os olhos do invejoso

E o seu olhar pegajoso

Não me conheçam o andar

Nem me oiçam a falar

Deus Pai, guia-me no caminho

Que eu nunca me sinta sozinho

Se o invejoso viver a meu lado

Leva o seu mal e que fique enterrado

Livra-me Pai, da cobiça atroz

Sou Teu servo, é tua a minha voz

Que as pragas e o maldizer

Do invejoso que só faz sofrer

Sejam gotas no oceano

Que não causem nenhum dano

Senhor, rei de todas as nações

Livra-me da inveja, mascarada de boas acções


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