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segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Vendedor de Sonhos

 

(imagem retirada da internet)



Parou à minha porta num dia soalheiro

Um vendedor carregado e de olhar matreiro

Disse-me que vendia bonitas traquitanas

E que já andava em viagem há muitas semanas

Não mostrei interesse, de momento nada me faltava

Deu-me um saquinho perfumado, que bem que cheirava

Agradeci o gesto, mas insisti em pagar

Disse que era uma oferta, mal não ia causar

Senti-me na obrigação de retribuir a atenção

Pedi para ver umas luzinhas em forma de coração

Com todo o cuidado retirou-as da embalagem

Explicou que são luzes de pouca voltagem

Disse que são especiais e merecem cuidado

Se eu as comprar vou perceber o significado

Perguntei o porquê de serem tão especiais

Além da forma, pareciam ser luzes normais

Decidi comprá-las para descobrir o segredo

De noite seriam a companhia para o meu degredo

Disse-me que as traquitanas que andava a vender

Iam muito além dos trecos que se podiam ver

Confidenciou-me que vendia sonhos ao domicílio

Que as minhas luzinhas eram um especial utensílio

Quando as fosse ligar que pensasse num sonho especial

Quando menos esperasse o sonho seria real

Abalou da minha casa com um sorriso rasgado

Por onde passe desejo que seja muito afortunado


terça-feira, 13 de setembro de 2022

Minha cara metade

 


Demoraste a chegar minha cara metade

Trouxeste contigo a desejada tranquilidade

Contigo a aprendizagem é mais subtil

A minha mão encaixa, perfeitamente, na tua

Somos dois apaixonados que passeiam pela rua

Cantamos como os pássaros no tempo primaveril

 

Se o meu braço não tem o alcance preciso

Posso contar com o teu apoio e um sorriso

Amar é o complemento da nossa essência

As cadeiras lado a lado na varanda do jardim

Esteja sol ou a chover permanecerão assim

Contigo a felicidade fixou a sua residência

 

Os erros e as conquistas serão aos pares

Da nossa casa seremos os melhores pilares

O amor ensinou-nos a lidar com as vicissitudes

Somos a manta que partilhamos no sofá à lareira

Somos as gargalhadas que surgem na brincadeira

Amor joguemos sempre com as nossas virtudes


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Visão Turva

 


Farrapos de nuvens caem incessantemente

Deixam-me a visão turva e inconsistente

Deambulo sem sentido nem orientação

O ar tornou-se gelado, forte e espesso

Sinto-me fria, a qualquer barulho estremeço

A angústia vai tomar conta da minha direção

 

Não consigo controlar nem orientar os meus passos

Oiço gemidos agudos, algo me toca nos braços

O terror toma conta da minha existência

Formou-se um nevoeiro pesado com cheiro a maresia

Arrasto-me com a troupe sem saber a coreografia

Não enxergo a claridade, será isto a demência?


sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

As quatro estações - Poesia Infantil

 


Na Primavera as temperaturas são amenas

Os dias são maiores, podemos brincar mais horas

As árvores voltam a ter flores, grandes e pequenas

Os dias frios ficam para trás, já nem sabem onde moras

 

O Verão traz o calor e roupa mais colorida

O sol brilha com maior intensidade

A noite é quente, mas já não é tão comprida

Os dias longos de verão alimentam a felicidade

 

No Outono as folhas deixam as árvores mais despidas

E as que não caem mudam para a cor amarelada

Os dias são mais fresquinhos e as roupas mais compridas

A noite chega mais cedo e fica mais demorada

 

O Inverno gosta dos dias mais pequeninos

E o frio faz-nos companhia diariamente

Há sítios onde a neve é brincadeira para os meninos

E o aconchego da lareira é o ideal para se estar quente


quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Não foi eterno o amor



Não foi eterno nem nos arrebatou

Foram calmarias, nem trovejou

Triste esta nossa relação passageira

Manipulaste um sonho de conto de fadas

Ignoraste que desconhecias as altas paradas

O enterro foi precoce, sem direito a carpideira

 

Quiseste guiar-te pelos olhos do nosso amor

Cometeste um erro crucial de perfeito perdedor

Não sabes que o amor é cego de nascença?

Perdeste pontos essenciais pelo caminho errado

Seguiste sem bagagem, mas levaste o atrelado

Não te livraste da multa, faltou a devida licença

 

Devolvemos as esperanças e os, exagerados, desejos

Ignorantes e inexperientes, pensávamos viver de beijos

Mas o amor constrói-se e mantém-se a quatro mãos

A conta foi fechada, eram poucos os movimentos

Desconhecíamos ser necessário preservar sentimentos

Não foi para sempre, desvalorizámos os contantes nãos




Novo é o ano, novas são as esperanças, novas são as resoluções, novos são os espíritos e novos são os meus votos calorosos para vocês, meus Queridos Amigos virtuais. Tenham um Ano Novo promissor e gratificante! 





quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Nada para Soprar

 


As pedras transformaram-se em gravilha

A terra estremeceu e virou pó

A presa desmantelou a armadilha

Decidiu, ponderadamente, deixar de viver só

 

A chuva ficou-se pelas gotículas

Nada mais havia que lavar

O vento foi deixando as suas partículas

Mentalizou-se que nada tinha para soprar

 

O sol deixou as nuvens cobri-lo

Para quê brilhar se não há vida?

O seu desânimo, pôde a lua senti-lo

De noite no céu, chorou perdida

 

O dia nasceu sem tarefas a cumprir

A inércia estava a consumir a esperança

Ao anoitecer alguém fez uma lista a seguir

Amanhã será o começo da perseverança


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

O Tempo tinha Tempo

 


Tenho saudades de um tempo que não era apressado

Que sentava, esperava e passava um bom bocado

Sem se atrever a reclamar pela boa lentidão

Tenho saudades das horas mais vagarosas

A pressa gostava de parar para apreciar as rosas

O tempo tinha tempo e ainda sobrava tostão

 

Tenho saudades de quando o telefone estava preso

Aquele simples fio, manteve o nosso cérebro ileso

Eramos mais felizes não sendo dependentes

Tenho saudades das ruas repletas de miúdos

Com brincadeiras ensinadas pelos graúdos

O tempo tinha tempo e peças sobresselentes

 

Tenho saudades dos domingos de páscoa no jardim

Dos vizinhos que conviviam na rua, porque era assim

Da confraternização sem um ecrã incluído

Tenho saudades dos sujos trabalhos manuais

De escrever palavra a palavra os nossos ideais

O tempo tinha tempo e não era tempo perdido


sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Expurgar o mal a escrever

 


De lapiseira na mão, com a alma triste e despedaçada

Escrevo o que me atormenta o coração, a angústia tornou-se pesada

As mãos querem tremer, mas não as deixo serem cobardes

Vou expurgar o mal a escrever, nem que esgote todas as tardes

Escrita apressada como eu, indicar o culpado é o objectivo

Na verdade, foi ele quem perdeu, nunca foi tenaz nem afectivo

 

As linhas enchem-se de frases, duras, verdadeiras e doridas

Não descendeste dos audazes, só aprendeste a criar as feridas

São páginas de desabafo que, estranhamente, me reedificam

O dia ainda não está safo, porque as entranhas ainda me picam

Irei escrever noite dentro, as folhas irão transbordar de caligrafia

Amanhã noticiarão o epicentro e divulgarão a bibliografia



terça-feira, 28 de julho de 2020

Dia difícil

Chovia desde madrugada, pingos grossos e gelados

Eu já estava atrasada e até à cabeça em recados

A diva da viatura, fez birra e demorou a pegar

Ainda levei à pendura uma publicidade que esqueci de tirar

 

O vidro embaciou, carro velho é malandreco

O, pouco, ar morno não ajudou, via mal p’ra caneco

O guarda-chuva partiu, molhei-me até ao tutano

Donde é que este tempo saiu, de certeza que vim ao engano

 

Demorei a ficar enxuta, o aquecedor, coitado, é fracote

Com o andar da labuta, se não secar, faço boicote

Chegada a hora do almoço, nem me atrevi a sair

Já passei bastante alvoroço, mastigo melhor sem água a cair

 

No regresso à minha habitação, a chuva quis fazer as pazes

A custo, dei-lhe o meu perdão, p’ra próxima pondera como fazes

Demorei a abrir a porta, ainda tropecei ao entrar

Com a neura já meia torta, descambei-me a praguejar


terça-feira, 14 de julho de 2020

Alma Vazia

Acordei de alma dorida e vazia

Espero que seja curta a estadia

Sinto-me sem meta nem direcção

Preciso encher esta oca sensação

Saio em busca da causa da minha maleita

Vagueio pelas ruas, parece que algo me espreita

Não reconheço os rostos com que me cruzo

Porque me olham assim? que abuso!

Faço uma pausa para descansar o esqueleto

Sento-me à sombra, num banco preto

Tento organizar os passos a seguir

Qual a melhor táctica para prosseguir

A meio da tarde penso no regresso

Admito, não fiz nenhum progresso

Este vazio, espero, seja passageiro

Se não for, amanhã alicio-o com dinheiro

Chegada a casa, meu lar, meu castelo

Tratadas as tarefas, calcei o chinelo

Ocupar o corpo e, maioritariamente, a cabeça

Faz um bem danado ao mal que se padeça

Quando a noite chegou, a alma estava curada

A causa, se existiu, certamente ficou desvendada


sexta-feira, 29 de maio de 2020

Pastor Serafim


O pastor Serafim
Não sabe que o mundo tem fim
Pensa que as terras por onde passa
E lhe servem de praça
São o começo e o final
Da sua vida e da sua prole
animal

O Sol ainda não abriu a janela
E já o pastor segue em fileira
O seu rebanho vai pela viela
No caminho que os leva à
ribeira

Os sonhos ainda aparecem
Porque os ideais nunca se esquecem
Mas o Serafim finge não os conhecer
É que estar vivo sem viver
Por muito que não se queira mostrar
Há sempre quem acabe por notar.
Então disfarça-se a verdade
Para um homem de meia idade
Poder o seu rebanho conduzir
E pensar que o seu sonho acabou por se cumprir.

O cajado não deixa enganar
O destino que o Serafim tinha traçado
O pai foi quem o ensinou a usar
Para não deixar morrer o
legado

Sentado à sombra da meia tarde
Olha o rebanho, sua família fiel
Nem o Sol nos olhos lhe arde
Qual pintura a
pincel

O badalo ajuda o pastor
A controlar o que tem de maior valor
E na hora do regresso a casa
O Serafim quase nem mexe uma asa
Basta assobiar a sua melodia
Que o seu rebanho sabe que acabou o
dia

O caminho de volta é feito quase vendado
Tantas são as vezes que é pisado
O Serafim guarda os seus amigos até ao dia seguinte
E recebe a noite como um simples
pedinte


terça-feira, 26 de maio de 2020

Desejo, Amor


Desejo amor, estrelas no teu céu

Aprende a dar valor, evita ser um réu

Desejo amor, chuva na tua horta

Ao bom trabalhador, abre-se sempre a porta

 

Desejo amor, flores no teu caminho

Não guardes rancor, o carma não trabalha sozinho

Desejo amor, fartura na tua mesa

Que não conheças a dor de quem tem a alma presa

 

Desejo amor, um anoitecer abençoado

Nunca te ache o terror, que se alimenta do abandonado

Desejo amor, que te encontre a felicidade

Recebe-a como um senhor, mostra-lhe sinceridade


quinta-feira, 21 de maio de 2020

Livra-me do Invejoso


Pela estrada que tenho de seguir

Peço-Te, protege-me de cair

Que os olhos do invejoso

E o seu olhar pegajoso

Não me conheçam o andar

Nem me oiçam a falar

Deus Pai, guia-me no caminho

Que eu nunca me sinta sozinho

Se o invejoso viver a meu lado

Leva o seu mal e que fique enterrado

Livra-me Pai, da cobiça atroz

Sou Teu servo, é tua a minha voz

Que as pragas e o maldizer

Do invejoso que só faz sofrer

Sejam gotas no oceano

Que não causem nenhum dano

Senhor, rei de todas as nações

Livra-me da inveja, mascarada de boas acções


terça-feira, 19 de maio de 2020

É assim o nosso Amor



Saboroso como um doce tradicional

Único, diferente e especial

É assim o nosso amor

Acolhedor como a lareira no inverno

Quente, carinhoso e terno

É assim o nosso amor

 

Viciante como um livro de suspense

repleto de técnicas forense

É assim o nosso amor

Fresco como a chuva no verão

Calmo como um chá ao serão

É assim o nosso amor


segunda-feira, 11 de maio de 2020

Não é para toda a gente


Pegar cedo no batente

Não é para toda a gente

E com a baixa remuneração

Mal dá para poupar um tostão

Quando o chefe até tem estudos

Mas foram tão fracos os canudos

Que o trabalhador pensa que injustiça

Aquele que passa o dia na preguiça

É quem lhe paga o ganha pão

Que o tem bem seguro na mão

Mas no fim de contas nada sabe

Até a mandar é um entrave

Hoje em dia é cada vez mais banal

Ver um burro a chefiar um intelectual


quinta-feira, 7 de maio de 2020

Maio, mês de Maria ♥



Nossa Senhora Mãe de Deus


Nossa Senhora, Mãe de Deus

Nossos tesouros são teus

Ilumina o caminho pedregoso

Mãe, és tu que nos salvas

Somos filhos das malvas

És o amor mais carinhoso


Nossa Senhora vem nos socorrer

Somos pecadores arrependidos

Mãe, só contigo conseguimos ver

Guia-nos quando estamos perdidos


Rainha do céu e da terra

Do cume mais alto da serra

Mãe do Salvador da humanidade

Nossa Senhora imaculada

És de todas a mais adorada

A ti oramos na necessidade


Pedimos-te em oração

E em constante aflição

Que atendas a nossa prece

Nossa Senhora, Mãe de Jesus

Que a noite se encha da tua luz

Contigo a escuridão desaparece

Obrigado pelo carinho

Obrigado pelo amor materno

Nossa Senhora é seguindo o teu caminho

Que encontramos o perdão eterno


sábado, 19 de outubro de 2019

Morri de tristeza


Ontem morri de tristeza
Sem sequer um aviso de recepção
Parti sem nenhuma certeza
Ainda desconheço a principal razão

Ontem morri de tristeza
Abandonei o barco em alto-mar
É tão mais fácil alegar lerdeza
Que assumir o leme e navegar

Ontem morri de tristeza
E só eu chorei por mim
Ninguém viu a minha fraqueza
Nada mais há p'ra lá do fim

Ontem morri de tristeza
A cobardia ganhou o fraco combate
A coragem acabou na pobreza
E eu parti sem tentar um empate

Ontem morri de tristeza
Mas a minha alma ainda vagueia
Todo o meu corpo é pura leveza
E apenas o vazio me rodeia

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

As Vozes na minha cabeça


As vozes incessantes na minha cabeça
Têm discussões que ultrapassam a minha capacidade
Organizam tertúlias de uma grande variedade
E nem se importam que isso me aborreça

As vozes que me turvam o raciocínio
Têm-se em muita consideração
Os seus debates básicos e sem noção
Há muito que perderam o fascínio

As vozes insistem na sua magnificência
Mas nada do que dizem é especial
Lembram políticos em campanha eleitoral
A querer a todo o custo mostrar competência

As vozes na minha cabeça falam demasiado
Raramente estão em plena concordância
Dizem que me acompanham desde a infância
E que já merecem um tratamento diferenciado

Convidam-me com toda a cortesia
Para os seus encontros eloquentes
Recuso com desculpas pouco convincentes
As vozes acreditam com a mais extrema hipocrisia

terça-feira, 17 de setembro de 2019

A Janela das traseiras


Pedaços de vidro estilhaçado
Inundam os degraus da escada das traseiras
Interrogo-me quem será o desgraçado
Que me quer ver perder as estribeiras

Era ainda manhã cedo e caía chuva miudinha
Vim ao quintal apanhar erva cidreira
Reparei que tinha tido uma visitinha
Que fez questão de me partir a floreira

Reparei nos vidros a servir de tapete
E a janela partida, bailava ao vento
Maldito ser com alma de diabrete
Que me quer causar tanto tormento

A manhã já ia alta, deixou de chover
Já não havia sinal de maldade gratuita
A janela tratada, deixou de bater
A escada voltou a ficar bonita

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Panfleto Colorido


Ao passar numa rua da minha cidade
Encontrei colado num poste de electricidade
Um panfleto repleto de letras coloridas
Lá dizia que buscavam urgentemente
Pessoas que tratam os outros como gente
E saibam como cuidar de almas feridas

Não tinha qualquer limite de idade
Nem pedia grau de escolaridade
Bastava querer e saber ouvir os outros
Diziam que estava em vias de extinção
A bondade gratuita vinda do coração
E que os membros ainda eram poucos

Para contactarmos o anunciante
Ter atenção ao compromisso importante
Estão em causa sentimentos alheios
Era facultado um número de telefone
Para que o candidato impressione
E esclareça todos os seus receios

Fui a única que parei a ler o panfleto
Os que passavam nem viraram o esqueleto
As letras coloridas não foram o suficiente
Anotei o contacto no meu caderno
Desejo que possa vir a ser eterno
O amor despretensioso e transigente

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