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segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Vendedor de Sonhos

 

(imagem retirada da internet)



Parou à minha porta num dia soalheiro

Um vendedor carregado e de olhar matreiro

Disse-me que vendia bonitas traquitanas

E que já andava em viagem há muitas semanas

Não mostrei interesse, de momento nada me faltava

Deu-me um saquinho perfumado, que bem que cheirava

Agradeci o gesto, mas insisti em pagar

Disse que era uma oferta, mal não ia causar

Senti-me na obrigação de retribuir a atenção

Pedi para ver umas luzinhas em forma de coração

Com todo o cuidado retirou-as da embalagem

Explicou que são luzes de pouca voltagem

Disse que são especiais e merecem cuidado

Se eu as comprar vou perceber o significado

Perguntei o porquê de serem tão especiais

Além da forma, pareciam ser luzes normais

Decidi comprá-las para descobrir o segredo

De noite seriam a companhia para o meu degredo

Disse-me que as traquitanas que andava a vender

Iam muito além dos trecos que se podiam ver

Confidenciou-me que vendia sonhos ao domicílio

Que as minhas luzinhas eram um especial utensílio

Quando as fosse ligar que pensasse num sonho especial

Quando menos esperasse o sonho seria real

Abalou da minha casa com um sorriso rasgado

Por onde passe desejo que seja muito afortunado


domingo, 30 de junho de 2019

À espera do autocarro


Na correria dos dias arrastados
Vejo cada vez mais pesados
Os olhos daqueles com quem me cruzo
Nos bancos do, quase vazio, jardim
Não oiço nem vejo nenhum frenesim
Apenas solitários de rosto confuso

À espera do, já apinhado, autocarro
Lembram-me figuras de barro
Aqueles que mal se conseguem mexer
Os olhares tristes e indecifráveis
Projectam os sonhos vulneráveis
Que cobardemente deixaram morrer

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Menino Sardento


Uma corda a amarrar os livros
Uma boina a segurar os cabelos
Aprende a desviar-se dos perigos
As calças a bailar nos tornozelos

Menino de cara sardenta
E um sorriso travesso
No bolso vê-se a sebenta
Mas a casaca vai do avesso

O mundo diz que vai ser seu
Ser catraio não dura os eternos
Por agora deixa-se ser plebeu
E vai rabiscando os cadernos

Na escola com o seu regimento
As brincadeiras são do mais audaz
Na sala de aula o ensinamento
Vai incutindo o homem ao rapaz

sábado, 12 de janeiro de 2019

Casa dos meus sonhos


A casa dos meus sonhos
Tem um quintal, verde sem fim
E a árvore dos medronhos
Fica mesmo no meio do jardim

Na minha casa perfeita
Tenho cercas de madeira
A entrada é mais estreita
Lá nasceu uma laranjeira

As telhas do meu telhado
Simples como toda a habitação
Protegem o meu legado
Rodeadas de vegetação

Da porta da rua
Vê-se a estrada de terra batida
De noite a vizinha é a lua
Na casa da minha vida.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Guerra de Hipocrisias

Fonte: Google Images

Muros caídos
Sonhos destruídos
Guerra de hipocrisias
Desapego emocional
Um futuro disfuncional
Repleto de heresias

Valores desprezados
Por burros doutorados
Uma legião de indigentes
Um mundo sem estandarte
Que vai morrer de enfarte
Sem deixar sobresselentes.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Cheirinho a Pão-de-ló

Fonte: Google Images

Q
uando eu era criança
Cabelo numa trança
Sempre magricela
Achava a lua esquisita
Estranha, mas bonita
E queria ser como ela

Quando eu era pequenina
Com meus sonhos de menina
O mundo cheirava a pão-de-ló
Agora já crescida
Um pouco mais entendida
A nada me cheira, estou só.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Os meus sonhos estão em greve

Fonte. Google Images

Os meus sonhos estão de greve
Sem data para terminar
A minha mão já não escreve
Porque sozinha não sabe criar

Não eram muitos, confesso
Mas não importa a quantidade
Não sei como lhes peço
Para voltarem à realidade

São meus sonhos de estimação
Ainda em estado quase novo
Há quem leve vida de cão
Assim diz o nobre povo.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Aterrar nas Estrelas

Fonte imagem: internet

Olhamos para as mesmas estrelas
E vimos coisas tão diferentes
Nem sempre podemos vê-las
Mas elas estão sempre presentes

O outono tem uma beleza singular
Especial para os seus apreciadores
Mesmo estando tudo a terminar
Não deixa de apurar certos sabores

A cabeça tem que andar levantada
É importante não me esquecer
Se não a coroa cai do nada
E isso nunca pode acontecer

Traça a direcção da lua
Não importa se falhar
A sorte é sempre tua
Podes nas estrelas aterrar.

terça-feira, 11 de abril de 2017

O Amor é uma Força Maior


Imagem: internet

Dividimos os sonhos e desejos
Amar é uma corrida a dois
Ansiamos que os abraços e beijos
Sejam sempre o antes e o depois

O amor obrigou-nos a abrandar
Os dias não se vivem a correr
Contigo aprendi a aproveitar
Os minutos que temos para viver

Disseste-me noutro dia
Que o amor é uma força maior
Se for usada em demasia
Não fica no seu melhor.

                                                        

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Sonhar (os sonhos)


(Imagem: http://www.huffingtonpost.com/dreamscloud/sleep-and-dreaming_b_4569753.html)


Sonhar acordado
Por um bocado
Ajuda a desanuviar
Os sonhos libertam
Por vezes despertam
Quem se deixa abalar

Sonhar com o futuro
Que se pula o muro
E acabar por cair
Sonhar com o medo
Que se tem um segredo
Prejudica quem quer evoluir

Sonhar com alegria
Que seja em demasia
E nos faça crescer
Os sonhos são sinais
Às vezes especiais
São um modo de viver.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Os meus sonhos

(imagem retirada da internet)



Chega o momento de adormecer
E de deixar os sonhos entrar
Em pouco tempo deixo de perceber
Quem fica realmente a comandar

As imagens, os sons e a confusão
Com que os meus sonhos se fazem
Deixariam qualquer um em contra-mão
E em puro estado de vadiagem

Gostava de sonhar colorido
Com passarinhos à mistura
E não parecer um doido varrido
Que sonha sempre com a loucura

Se os sonhos se pudessem realizar
A minha vida tinha os dias contados
Porque em matéria de saber sonhar
Os meus estudos ainda não estão terminados

Anseio pelos sonhos de calmaria
Repletos de serenidade
Ver-me livre desta doidaria
Será um sonho tornado realidade.

terça-feira, 12 de julho de 2011

TENHO, PORQUE SOU!


Tenho dores, das que não se sentem
Mas que doem sem piedade
Tenho sonhos dos que mentem
E iludem a realidade.


Sou guerreira, sou aprendiz
Sou a força e sou o futuro
Sou o sonho de um petiz
Sou eu, a tentar pular o muro.


Perdi minutos preciosos
Em busca de um momento ideal
Perdi, por ignorância dos mentirosos
Que cada segundo é um ponto crucial.


Faço contas a uma vida
Que de contas já tem o fio cheio
E nesta conta mais curta que comprida
A medida ainda fica p’ra lá do meio.

terça-feira, 31 de maio de 2011

AS CRIANÇAS (Dia Mundial da Criança)

Lucília e Isabel

Com olhos brilhantes,
sorrisos constantes
como a verdura dos frutos,
tornam-se heróis e gigantes
Reis e Infantes,
são os sonhos dos putos.

Levam os bolsos rasgados
e dependurados
vão os brinquedos,
saciam-se de rebuçados
ficam lambuzados
e adormecem sem medos.

Acreditam que ser crescido
é ser mais comprido
e nada fazer,
gostam de brincar ao relento
dos papagaios ao vento,
são os mestres na arte de viver.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

PASTOR SERAFIM





O pastor Serafim
Não sabe que o mundo tem fim
Pensa que as terras por onde passa
E lhe servem de praça
São o começo e o final
Da sua vida e da sua prole animal.

O Sol ainda não abriu a janela
E já o pastor segue em fileira
O seu rebanho vai pela viela
No caminho que os leva à ribeira.

Os sonhos ainda aparecem
Porque os ideais nunca se esquecem
Mas o Serafim finge não os conhecer
É que estar vivo sem viver
Por muito que não se queira mostrar
Há sempre quem acabe por notar.
Então disfarça-se a verdade
Para um homem de meia idade
Poder o seu rebanho conduzir
E pensar que o seu sonho acabou por se cumprir.

O cajado não deixa enganar
O destino que o Serafim tinha traçado
O pai foi quem o ensinou a usar
Para não deixar morrer o legado.

Sentado à sombra da meia tarde
Olha o rebanho, sua família fiel
Nem o Sol nos olhos lhe arde
Qual pintura a pincel.

O badalo ajuda o pastor
A controlar o que tem de maior valor
E na hora do regresso a casa
O Serafim quase nem mexe uma asa
Basta assobiar a sua melodia
Que o seu rebanho sabe que acabou o dia.

O caminho de volta é feito quase vendado
Tantas são as vezes que é pisado
O Serafim guarda os seus amigos até ao dia seguinte
E recebe a noite como um simples pedinte.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

JÁ NÃO TENHO SONHOS

(site yenta4)

Hoje não tenho sonhos, vivo da realidade
Cansei-me dos sonhos sem identidade
Prefiro fechar os olhos e só dormir
É mais seguro e ajuda-me a reflectir

Os sonhos que me invadiram o passado
Acabaram por se fartar do meu desagrado
E num dia banal em que acordei
Estava assim, sem saber o que sonhei

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


Hoje vou voltar atrás no tempo
Onde tudo era motivo para sonhar
Vou fazer um papagaio de papel
E levá-lo com todo o gosto a voar

Na cauda coloco laços de esperança
Da cor azul, como o céu que o vai receber
Na vontade vai um sonho de criança
Papagaio de papel deixa-me aprender

Como é tão bom sentir esta liberdade
De comandar o meu papagaio de ilusão
Saber que o seu voo tão altivo
É guiado pela saudade que enche o meu coração

Papagaio de papel
Cheio de cores da minha infância
Leva-me contigo pelo céu
Vamos brincar, para acalmar a minha ânsia
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