Será que sou poeta
de alma doente
Instalado num
cativeiro de palavras indecisas
Será que ser poeta
é escrever o que se sente
Proclamar a céu
aberto quando se mente
Deixando a bola entrar
em todas as balizas
Será que sou poeta
por escrever alinhado
Despejo os
pensamentos em catapulta
A caneta fez-se o
meu melhor aliado
As folhas deixam-se
encher do meu palavreado
No fim o poema até
parece que resulta
Será que sou poeta
apenas por saber rimar
Porque iludo o
mundo sobre a minha essência
Digo que sofro sem
nem sequer clamar
Enxugo as lágrimas
que nem vi derramar
Será que ser poeta
é ser vizinho da demência
Será que sou poeta
de versos sem noção
Ou nem perto
caminho de ser poeta algum
A mente inquieta comanda
a minha mão
Fora da minha
janela tudo é inspiração
Poeta é ter os
sentimentos e não querer nenhum


















