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quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Jogo furado

 


Carreguei no botão errado

Saiu-me um prémio furado

Ainda pensei em reclamar

Mas não valia a pena me enervar

Pouco ou muito, paciência

Ganhar ao jogo é uma ciência

Para a próxima, tomo mais atenção

E analiso com cuidado cada botão

Não irei com tanta pressa carregar

Penso mais um pouco antes de arriscar

Cada jogo é um desafio persistente

Digno da mais perspicaz mente

Se a sorte não me quiser assistir

Terei que aceitar o que me quiser sair


domingo, 29 de outubro de 2023

Temos a mania

 


Temos a mania de achar que mandamos

Que o mundo gira em torno da nossa cintura

Temos a mania de gabar-nos onde vamos

Mesmo que a viagem seja de pouca dura

 

Temos a mania de valorizar a ostentação

Porque a vaidade é um vício inebriante

Temos a mania de invejar a vitória do irmão

Porque o mundo tem um feitiozinho arrogante

 

Temos a mania de planear o futuro

Quando na verdade não controlamos nada

Temos a mania de não esperar que fique maduro

E a falta de paciência tornou-se uma forte aliada

 

Temos a mania de pensar que temos a mania

Mesmo que não saibamos patavina do que se passa

Esta mania de achar que é bom ter a mania

Há-de envergonhar-nos à luz do dia em plena praça


quarta-feira, 10 de julho de 2019

A Paciência


Numa tarde de calmaria
Com uma brisa aconchegante
Encontrei a paciência junto à ria
Pensativa sem nenhum acompanhante

Cheguei-me à sua beira
E cumprimentei-a com educação
Queria encontrar maneira
De perguntar se conhece a solidão

Meio encabulada, lá consegui perguntar
E ela sorridente me respondeu
A solidão é o único lugar
Onde se encontra o que se perdeu

Gabei-lhe a sensatez e a maturidade
Ter paciência não é para qualquer um
Disse-me que muitas vezes a felicidade
Nasce de quando se evita o zunzum

Despedi-me e agradeci a sabedoria
Espero encontra-la regularmente
A paciência sabe que a alegria
Não é um dom para toda a gente

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Moer a paciência


É o pingo da torneira
Que parece ensurdecedor
É o crepitar da lareira
Que exagera no calor

É a mosca p’ra lá de chata
Que me mói a paciência
É o tilintar dos talhares de prata
Que testam a minha resiliência.
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