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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Data de Validade

 


Se tivéssemos nascido com a data de validade visível

Tatuada nas costas da mão em tinta preta bem carregada

Cada vez que apontássemos o dedo de forma desprezível

Talvez nos lembrássemos que a vida não é para ser odiada

 

Se todas as noites ao deitar olhássemos a data

E soubéssemos que somos apenas um viajante

Talvez conseguíssemos dar mais valor à prata

Porque nem tudo o que brilha é ouro ou diamante

 

Se ao lermos a data de quem nos estende a mão

Não julgássemos só porque estão vazios os dedos

Talvez aprendêssemos a reconhecer a necessidade do irmão

E a aprender a evitar os estragos causados pelos segredos

 

Se ao nascer de cada dia sorríssemos ao ver a data de validade

Sabendo que estamos a fazer o melhor pelo tempo de estadia

O mundo transbordaria de um excesso de humanidade

E a altura da partida seria apenas uma mudança de moradia


quarta-feira, 23 de junho de 2021

O que queremos ver

 


Encontrei pedaços de papel rasgado

Não percebi a caligrafia, estava rasurado

Pensei juntar todos os pedacinhos

Mas não se tapavam todos os buraquinhos

Seriam palavras de um amor de novela,

Ou frases tristes da partida num barco á vela?

Apesar da curiosidade em estado de alerta

Joguei tudo no lixo, decisão esperta

Induzi a minha mente a esquecer o papel

E desenhei uma bonita paisagem a pincel

Só vemos o que realmente queremos ver

E só percebemos o que queremos entender

O bom da vida é o privilégio da decisão

Aliar uma mente sã a um puro coração


quinta-feira, 17 de junho de 2021

Leve como a farinha

 


Vou partir sem destino e sem preparação

Seguirei pelo caminho que me causar maior emoção

Não estabeleci metas nem espero alcançar conquistas

Quero apenas caminhar sem datas previstas

 

As pausas que fizer para recarregar baterias

Serão as que quiser e sem tempo contado

Se os dias forem quentes e as noites frias

Seguirei no escuro debaixo do céu estrelado

 

Vou partir sem bagagem e sem inutilidades

Para atraso de vida já me bastam as falsidades

Quando souber que cheguei ao fim da linha

Viverei mais calma e leve como a farinha 


sexta-feira, 26 de junho de 2020

Sentada nos degraus (Ermelinda)

Nos degraus de pedra, da casa pequena

Sentada com um cesto no regaço, serena

Está a Ermelinda, que já vai nos oitenta

Sempre activa, mas tal idade não aparenta

Hoje remenda as meias, repletas de buraquitos

Diz que dão muito jeito para fazer manguitos

O marido, uma tristeza, está agora acamado

Foi do trabalho duro, sem folga, nem feriado

P’ra quem lhe passa à porta, tem sempre um sorriso

Ainda trata da casa, vai fazendo o que é preciso

A filha, casou, e foi morar na cidade

Vem, volta e meia, ajudar nalguma dificuldade

Os vizinhos, amigos de toda uma vida

Acodem-lhe quando se sente mais perdida

Apesar da vista já fraca, gosta de bordar

Ninguém a ensinou, aprendeu sozinha a praticar

Nada falta ao marido, por muito que já lhe custe

O trabalho não é nada que a assuste

Apesar da volta que a vida tomou

Não reclama e nunca esquece o que passou

Conta ao marido as, poucas, novidades que sabe

Os anos ensinaram-lhe que o bem sempre cabe


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

A vida, o Mundo e Eu


Uma simples folha caída no chão
A sua vida, por agora, terminou
Presume-se que a sua tarefa acabou
Para dar lugar a um outro embrião

Um fruto que cai de maduro
Nem sempre é bem aproveitado
A fartura criou o malcriado
E não ensinou a pensar no futuro

Diz que nada se perde no mundo
Que tudo se transforma, indubitavelmente
Caminho para a certeza que alguém mente
Em algures se esconde um segredo profundo

Levo os dias ao sabor do meu vento
Não preciso de copiar aragens alheias
Evito pisar o chão sem as minhas meias
Nem me sento depressa noutro assento

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Vida Angustiada


Vou cambaleando com as forças na reserva
A capacidade de discernimento em conserva
Já passou para lá do aconselhado
Nas conversas tento parecer ao corrente
Mas quem mais jura mais mente
E certamente o meu discurso será apanhado

O sorriso enganoso que insisto em ostentar
Vai-me levando adiante a enganar
Quem comigo ainda quer interacção
Chegará o dia da triste realidade
Não poderei alegar insanidade
Será o momento de toda a revelação

Muitos vão julgar e continuar na hipocrisia
Outros vão sentir a minha agonia
Vou causar um sentimento contraditório
Quem leva uma vida angustiada
Seguindo sem contradizer a manada
Nunca se sente parte do território

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Mudar a fechadura


Perdi a chave do portão
E pelo sim pelo não
Vou mudar a fechadura
Gosto de ser prevenida
E não testar a vida
A dar-me alguma amargura

Não sou de deixar andar
De simplesmente confiar
Espero sempre o pior
Depois de casa roubada
A tranca não serve p’ra nada
A seguir nada fica melhor.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Casa dos meus sonhos


A casa dos meus sonhos
Tem um quintal, verde sem fim
E a árvore dos medronhos
Fica mesmo no meio do jardim

Na minha casa perfeita
Tenho cercas de madeira
A entrada é mais estreita
Lá nasceu uma laranjeira

As telhas do meu telhado
Simples como toda a habitação
Protegem o meu legado
Rodeadas de vegetação

Da porta da rua
Vê-se a estrada de terra batida
De noite a vizinha é a lua
Na casa da minha vida.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Sopra baixinho

Fonte: Google Images


Vai, dá um sorriso
É sempre preciso
Saber agradar
Vai, olha p’ra mim
Sabes que assim
Nada te posso negar

Vai, sê cordial
Porque afinal
Estamos juntos agora
Vai, sopra baixinho
E diz com carinho
Que vamos p’la vida fora.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

A corrida da vida

Fonte: Google Images

Na corrida que é a vida
Mais curta que comprida
Vou tentar chegar à meta
O rumo está traçado
Tenho tudo decorado
Vou ser a mais correcta

Os obstáculos são traiçoeiros
Parecem pouco certeiros
Mas facilmente nos podem derrubar
Preciso correr com precaução
Apurar a minha audição
Só em mim posso confiar.

sábado, 2 de dezembro de 2017

A vida é como um Limoeiro

Imagem retirada da internet


A vida é como uma nora
Roda e roda sem pausa
Se hoje a gente chora
Amanhã nem lembramos a causa

A vida é como um copo água
Que sacia a quem tem sede
A mais pequena mágoa
Bloqueia-nos como uma parede

A vida é que nem um limoeiro
Persistente como a sua folha
Nem sempre um dia de aguaceiro
Significa ter de apanhar uma molha.


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Ó Mundo

Imagem: internet

Ó mundo, mundo
Vais cada vez pior
Já bateste no fundo
E continuas a achar-te o melhor

Ó mundo, mundo
Onde vais com tanta pressa
Por favor para um segundo
Não vais cumprir nenhuma promessa

Ó mundo, mundo
Porque cultivas a maldade?
Vais acabar um vagabundo
Rodeado de crueldade

Ó mundo, mundo
A morte fez-se tua aliada
O teu aspecto é imundo
De ti já não se espera mais nada.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Não leves o meu Amor

Imagem: Internet


Se chegarmos a dizer adeus
Vou pedir a Deus
Que me venha amparar
Se já não quiseres dividir a dois
O que seria o nosso depois
Vou deixar a tristeza me levar

Se levares o meu amor contigo
Vou viver em constante perigo
Nem vou saber levar a vida
Promete que demoras um bocadinho
Que me deixas só um pouquinho
Para eu não me sentir perdida

Vais soltar assim no mundo
Um sentimento tão profundo
Por pura inquietação?
Tem cuidado com o que queres
E a quem os golpes desferes
Não queiras viver em contra-mão.

                                                                       


quarta-feira, 13 de abril de 2016

A vida é assim


Gota a gota, passo a passo
A vida vai ganhando forma
Encarar de frente o fracasso
E reger-se pela mesma norma

Minuto a minuto, hora a hora
A vida vai sempre ser diferente
Importa saber deitar fora
O que não nos torna coerente

Conquista, derrota, impasse
A vida é muito temperamental
Há que saber vivê-la com classe
E deixá-la correr ao natural.



terça-feira, 22 de março de 2016

Desenhar o meu caminho


Quero desenhar o meu caminho
Mas faltam-me os lápis de cor
O desenho não se faz sozinho
E eu não tenho rasgos de pintor

Vou desenhar um caminho estreito
Rodeado de vegetação
Com pedrinhas de qualquer jeito
E flores da mais linda estação

Quando o conseguir desenhar
Vou coloca-lo numa moldura
Quero poder contemplar
A única saída desta agrura

O desenho do meu caminho
Vai transbordar de tranquilidade
Irá ser fácil de percorrer
E terá apenas a minha identidade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

INGENUIDADE (POR TI)

(imagem retirada da internet)



Meus olhos vêm em ti
a continuação do meu ser
meu sonho não acaba aqui
nem minha vontade de viver.

Desarmas minhas barreiras por completo
sem esforço, nem receio
e ao sentir-me assim tão perto
fico rendida, solta sem, freio.

Provocas em mim dependência
e um estado de ingenuidade
sinto em mim tua essência
e este efeito de felicidade.

Deixo-me levar, ser guiada
é mais fácil lutar assim
sabendo que ao ser amada
tu vais tomar conta de mim.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

NÃO QUERO

(imagem retirada da internet)

Não quero desistir da vida
Se ela não desistir de mim
Ando às voltas, sinto-me perdida
Mas lá no fundo eu sou mesmo assim

Não quero me iludir em vão
Sem ter certezas de um amor sincero
E p’ra não magoar meu coração
Digo sem medo “meu amor não quero”

Penso que amanhã não vou acordar
Para me ver ao espelho mais uma vez
Não quero minha vida assim levar
Olhando um rosto triste que alguém fez.

Autoria: Isabel Mendes

segunda-feira, 15 de novembro de 2010



Propus-me a escalar a minha vida,
Mochila às costas, decidida!
No começo, o medo quis-me acompanhar,
Mas não levo penduras p’ra nenhum lugar.
A primeira subida foi mais complicada,
Mas tomando-lhe o jeito, é melhor que a estrada.
O cansaço apareceu e fiz uma pequena paragem.
Precisava respirar fundo e ganhar mais coragem.
Continuei a subir e olhei em volta
Não fosse alguma pedra estar solta.
Eu lá ia subindo sem reclamar
Mesmo estando farta de tanto andar.
Mas eu é que quis me dar a este trabalho,
Afinal de contas, quero saber quanto valho!
Ouvi umas vozes, vindas do nada
A deitar-me a baixo, a darem-me por derrotada.
Foi então que reconheci essa gentalha,
Almas vazias, que se inundam em tralha.
E ainda com mais vontade e determinação
Segui pelo caminho onde me leva o coração.
A certa altura questionei o meu itinerário...
Se não estaria a ver o mapa ao contrário?
É que não havia meio de ver a chegada,
E já ia tão longe a minha escalada!
De repente, do céu que me cobria,
Alguém me falou e assim dizia:
“Não queiras percorrer de debandada
Uma vida que ainda não está acabada.
Descansa, aproveita e dá valor
Ao que até agora te dei com tanto amor.”
Poisei a mochila e fiquei assim,
Em agradecimento de quem vive para mim.
A escalada não ficou completa,
Porque, na verdade, não havia meta.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

CAMINHAR NO ASFALTO...



Vou pisando o asfalto

sem querer

e sem vontade ter

mas no cimo, bem lá no alto

algo me faz continuar

porque por vezes caminhar

sem destino nenhum

e sem trajecto algum

leva-nos passo-a-passo

sempre cumprindo o compasso

ao ponto de partida

de uma nova chance nesta vida!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A VIDA

Há momentos em que a vida
Nos nega alguns sorrisos
Torna os dias em noite
Não nos dá o que é preciso

Há momentos em que a vida
Parece que nos tira o chão
Insiste em esconder o Sol
E teima em não nos dar razão

Há momentos em que a vida
Constrói muros em cada esquina
Alimenta a má vontade
E envolve-nos numa triste sina

Para todos os maus momentos
Com que a vida nos quer presentear
Há que saber dizer que não
E bater a porta para não os deixar entrar

Sorria para a vida
Em cada dia que passa
Sinta o Sol em cada momento
Tenha força, vontade, mostre a sua raça.
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