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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Nossa Senhora és o Diamante

 


Nossa Senhora desculpa a intromissão

Venho, mais uma vez, pedir-te amparo

Se possível, ajuda-me nesta minha aflição

Nossa Senhora és o diamante mais raro

 

Preciso do Teu conforto e da Tua condescendência

A coragem por vezes quer faltar-me ao prometido

Nossa Senhora cobre-me com a Tua magnificência

Faz-me caminhar mesmo o chão estando empedernido

 

Recebe todas as graças que Te consiga dar

Sei que será sempre pouco o meu agradecimento

Nossa Senhora és a Rainha do meu modesto lar

Acolhe-me em Teus braços e livra-me de todo o tormento


domingo, 11 de junho de 2023

O Mateus e o canário – Poesia Infantil

 


O Mateus recebeu no seu aniversário

Um presente mesmo muito especial

Um pequenino e amarelo canário

Com uma gaiola colorida e original

 

O Mateus deu-lhe o nome de Amendoim

E colocou a gaiola juntinho à janela

Todos os dias pode ver o lindo jardim

Está desejoso que ele cante e seja um tagarela

 

O Amendoim toma banho na banheira

Adora passar horas a fio no poleiro

Para o Mateus vê-lo é uma brincadeira

Mal acorda, vai sempre vê-lo primeiro

 

A casa do Mateus ficou mais feliz

Porque um canarinho é uma alegria

O Mateus vai crescer um melhor petiz

Amizades assim são o bem de cada dia


terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Peças Soltas

 


Anseio a salvação do amor incondicional

O ser humano tornou o egoísmo banal

E vive agora vandalizando a humanidade

Anseio o renascimento da ajuda sem contrapartida

Que aos poucos a inveja se encontre perdida

Reconhecer os erros é a melhor habilidade

 

Renego os que desvalorizam a dor alheia

Iludem-se que só eles brilham como a lua cheia

E acreditam que caminham no tapete vermelho

Renego os que magoam deliberadamente

Mentes vis que crescem desmesuradamente

São peças soltas que não fazem falta ao aparelho


sexta-feira, 18 de março de 2022

Como um dia de julho

 


Amor de copo cheio

Saímos de tarde num passeio

És a luz do meu entardecer

O meu coração só por ti sabe bater

Amor de partilha e aconchego

Beleza rara de um deus grego

De mãos dadas causamos inquietação

Se nos beijamos incendiamos a multidão

Amor de carinho na medida certa

Dengoso e de lábia muito esperta

À janela olhamos o futuro distante

Juntos o caminho far-se-á sempre adiante

Toma, leva a minha alma neste embrulho

E mantém-na quente como um dia de julho

Amor, nossa palavra será sempre escassa

Se não juntarmos o toque à criação da massa


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Quem Acredita

 


Quem acredita, sonha desenfreadamente

Extrai sempre o melhor do seu presente

Quem acredita, vence o amanhecer nublado

Carrega o sol na alma e brilha em todo o lado

Quem acredita, sorri a quem já o magoou

É sempre mais feliz aquele que perdoou

Quem acredita, aproveita os dias chuvosos

Há sempre algo de bom nos caminhos pedregosos

Quem acredita, dá a mão a quem lhe nega a sua

Porque quem vive do bem, desconhece a falcatrua

Quem acredita, leva a gratidão na algibeira

Saber agradecer é uma arte de primeira


terça-feira, 14 de julho de 2020

Alma Vazia

Acordei de alma dorida e vazia

Espero que seja curta a estadia

Sinto-me sem meta nem direcção

Preciso encher esta oca sensação

Saio em busca da causa da minha maleita

Vagueio pelas ruas, parece que algo me espreita

Não reconheço os rostos com que me cruzo

Porque me olham assim? que abuso!

Faço uma pausa para descansar o esqueleto

Sento-me à sombra, num banco preto

Tento organizar os passos a seguir

Qual a melhor táctica para prosseguir

A meio da tarde penso no regresso

Admito, não fiz nenhum progresso

Este vazio, espero, seja passageiro

Se não for, amanhã alicio-o com dinheiro

Chegada a casa, meu lar, meu castelo

Tratadas as tarefas, calcei o chinelo

Ocupar o corpo e, maioritariamente, a cabeça

Faz um bem danado ao mal que se padeça

Quando a noite chegou, a alma estava curada

A causa, se existiu, certamente ficou desvendada


sexta-feira, 26 de junho de 2020

Sentada nos degraus (Ermelinda)

Nos degraus de pedra, da casa pequena

Sentada com um cesto no regaço, serena

Está a Ermelinda, que já vai nos oitenta

Sempre activa, mas tal idade não aparenta

Hoje remenda as meias, repletas de buraquitos

Diz que dão muito jeito para fazer manguitos

O marido, uma tristeza, está agora acamado

Foi do trabalho duro, sem folga, nem feriado

P’ra quem lhe passa à porta, tem sempre um sorriso

Ainda trata da casa, vai fazendo o que é preciso

A filha, casou, e foi morar na cidade

Vem, volta e meia, ajudar nalguma dificuldade

Os vizinhos, amigos de toda uma vida

Acodem-lhe quando se sente mais perdida

Apesar da vista já fraca, gosta de bordar

Ninguém a ensinou, aprendeu sozinha a praticar

Nada falta ao marido, por muito que já lhe custe

O trabalho não é nada que a assuste

Apesar da volta que a vida tomou

Não reclama e nunca esquece o que passou

Conta ao marido as, poucas, novidades que sabe

Os anos ensinaram-lhe que o bem sempre cabe


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Sentença de Morte


Com a lua bem lá no alto
O meu perfeito álibi
Fugi sem medo pelo asfalto
E a noite cerrada levou-me dali

Na manhã seguinte no jornal
Alegaram ser o crime perfeito
Nem provas, nem nenhum sinal
Nem culpado, nem suspeito

Recuso-me a viver como uma fugitiva
Já que o meu crime não foi atroz
Não espero reconhecimento em comitiva
Mas não aceito nenhum gesto feroz

O passado, paz à sua alma
Já tinha sentença de morte
Ainda tentei manter a calma
Mas não foi o seu dia de sorte

domingo, 19 de janeiro de 2020

A música do Piano


Ouvi o som de um piano, vindo da casa sem iluminação
E com a liberdade de um cigano, dirigi-me na sua direcção
A melodia era apaziguante, de uma beleza incomum
Ao ver a porta fiquei hesitante, ali parada sem jeito nenhum

Mal toquei na porta, ela abriu sem reclamar
A maçaneta estava torta, com medo decidi entrar
Não havia divisões, apenas um espaço aberto
Para a música não havia razões, nenhum piano por perto

A melodia continuava, ouvia-se em todo o lado
Mas quem será que tocava, sem ser enxergado
Fiquei com receio, e abandonei a habitação
O caminho não ia a meio, quando deixei de ouvir a canção

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Quem diz amar sem amor


Quem segue o amor sem amar
Fingindo que ama e quer ficar
Nunca o amor conheceu
Quem diz amar perdidamente
E finge que ama loucamente
Nunca a arte de amar aprendeu

Quem muitas vezes diz amar
E que o amor é fácil de explicar
Nunca na vida amou ninguém
Quem escreve amor com banalidade
E diz que vai amar para a eternidade
Não sabe o sabor que o amor tem

terça-feira, 30 de abril de 2019

A morte bateu à porta


A morte veio à cidade
E com toda a liberdade
Começou cedo ao serviço
Sem perguntar direcções
Misturou-se com os peões
E dirigiu-se ao compromisso

A manhã ia alta
E ela já sentia falta
De iniciar a labuta
Estava um tanto complicado
Ninguém lhe havia falado
Era mais rama que fruta

De tarde voltou à carga
Levava amarrado à ilharga
O instrumento de trabalho
A morte bateu à porta
Reparou na maçaneta torta
E no chão restos de um galho

Ninguém veio atender
Assim não podia ser
Que raio de situação
Terá que voltar noutro dia
E para evitar esta agonia
Marcar com antecipação

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Liberdade

Imagem: internet

Liberdade é poder falar
As palavras que querem sair
Liberdade é poder recusar
E escolher o caminho a seguir

Liberdade é ser dono do nosso mundo
E chefiar a nossa vida sem medo
Liberdade é aprender que bater no fundo
Nem sempre tem de ser um degredo

Liberdade é sorrir e chorar
É estar em silêncio interior
Liberdade é conhecer as rédeas e liderar
É aceitar viver conhecendo a dor.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Ser capaz de ganhar


Você vai dar um jeito 
E voltar de novo
Dentro do seu peito
Bate a força de um povo

Você já ganhou a guerra
Com a coragem dos audazes
Aqueles que caem por terra
Nunca acreditaram ser capazes

Você atingiu a meta
A profecia foi realizada
A bagagem que isso acarreta
Já há muito foi despachada.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Tristeza enclausurada

Fonte: Google Images

A casa é toda vistosa
Toda maria vaidosa
Joga-se a futilidade

Os carros na entrada
Cada bomba de granada
Mas não encontro a felicidade

As paredes impermeáveis
De construções inigualáveis
Nunca deixam transparecer

A tristeza enclausurada
Na mansão angustiada
Só na riqueza sabe viver.
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