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segunda-feira, 17 de julho de 2023

Fado é um beijo

 


Fado é a saudade quando se confessa

É a dor da alma abafada numa canção

Fado é quando o verdadeiro amor regressa

É levantar todas as vezes que a gente tropeça

Fado é o fio condutor que alimenta o coração

 

Fado é o desvario de uma paixão proibida

É saber que amar acarreta muita responsabilidade

Fado é perder no jogo tendo a melhor partida

É chegar em primeiro sem ganhar a corrida

Fado é o repouso merecido da felicidade

 

Fado é um beijo que ficará eternizado

É a tristeza que canta sem conhecer a autoria

Fado é a erupção de um vulcão ressuscitado

É o caminho desejoso por ser caminhado

Fado é o filho primogénito da sabedoria


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Oferecer é Viver

 


Oferecer sempre um sorriso

Mesmo não sendo preciso

Faz um bem danado à gente

Oferecer sempre um amparo

É tão fácil e não nos sai caro

E deixamos o outro contente

 

Oferecer um abraço apertado

Assim mesmo bem aconchegado

Aquece até à pontinha do pé

Oferecer ajuda sem contrapartida

Devia ser uma das regras da vida

Inundaria o mundo com correntes de fé

 

Oferecer um ombro para chorar

Largando uma lágrima para acompanhar

Não sendo muito, atenua a dor de quem chora

Oferecer do nosso pouco, um pouco a quem precisa

Mesmo que por um dia só andemos de camisa

É o melhor sentimento que connosco mora


terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Peças Soltas

 


Anseio a salvação do amor incondicional

O ser humano tornou o egoísmo banal

E vive agora vandalizando a humanidade

Anseio o renascimento da ajuda sem contrapartida

Que aos poucos a inveja se encontre perdida

Reconhecer os erros é a melhor habilidade

 

Renego os que desvalorizam a dor alheia

Iludem-se que só eles brilham como a lua cheia

E acreditam que caminham no tapete vermelho

Renego os que magoam deliberadamente

Mentes vis que crescem desmesuradamente

São peças soltas que não fazem falta ao aparelho


terça-feira, 7 de maio de 2019

Dor em isolamento


Isolei a minha dor
Porque é ensurdecedor
O barulho que ela faz
Enquanto estiver isolada
Deixa a alma sossegada
E dá-me um pouco de paz

Cinco minutos por dia
Deixo-a vir ao jardim
Ela ao ver-me assim sadia
Insiste em voltar para mim

Por vezes dorme comigo
E é em constante perigo
Que temo adormecer
Tomara que se acostume
E não me ganhe azedume
Pois tenho que a prender

Pelo andar dos tratamentos
Penso acabar com a reclusão
A minha dor tem melhores momentos
E já não me causa habituação

quinta-feira, 2 de março de 2017

A Dor de Alguém

Imagem: internet

Cuidar da dor de alguém
Ajudando no que ela sente
Espalha só gotas do bem
E Deus cuida da dor da gente

Fazer alguém sorrir
Abraçando com sinceridade
Incute a prática do repartir
E causa uma onda de felicidade

Dar a mão a quem precisa
Mesmo que não peça por orgulho
Leva amor pela brisa
E cria melodia no barulho

Sarar a dor de alguém
Sem que esse alguém agradeça
Não nos torna um zé-ninguém
Mostra que temos pés e cabeça.

                                                                                

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Miseráveis Aqueles

Imagem: internet

Miseráveis aqueles que magoam
E se permitem abusar do poder
Miseráveis aqueles que não perdoam
E têm gosto em ver outros sofrer

Miseráveis aqueles que destroem
As vidas de tantos inocentes
Miseráveis aqueles que corroem
A bondade dos sobreviventes

Miseráveis aqueles que causam tristeza
Fiéis seguidores da desumanidade
Miseráveis aqueles que matam a natureza
E vivem em prol da crueldade.

                                                                                       

sábado, 5 de setembro de 2015

Em memória do Lucas

A tua partida foi prematura
Deixando à escura
A alegria do teu olhar
A dor é muito recente
Já não estás mais presente
E o tempo ainda não ajuda a curar.

Deixaste em nós o teu sorriso
E o brilho de ser criança
Levaste apenas o que foi preciso
Ficou a obrigação de crescer à tua semelhança.

Na tua tão curta existência
De sincera e pura essência
Ensinaste-nos o amor incondicional
Habitas agora na tua última morada
Já não percorres a nossa estrada
Regressaste ao exército angelical.

Ficam as lembranças de um menino feliz
E a certeza de nos voltarmos e encontrar
Fica a felicidade que nos ensinou um petiz
E a coragem de quem em tenra idade aceitou embarcar.



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

ESTA DOR



(imagem retirada da internet)


Esta dor que me consome
Me devora e me tortura
Foste tu que a causaste
E há-de levar-me à loucura.

Meus dias são infindáveis
Como estas lágrimas que derramo
Meu coração foi posto à prova
Por aquele que mais amo.

Estou a morrer por dentro
E cada dia é pior
Já não te sinto tão perto
Estou a perder-te, Amor.

Já não sei o que fazer
Sinto-me dividida
Não sei se me deixe morrer
Ou se lute por ti, minha vida.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

SUSSURROS

Oiço sussurros de alguém
Nas paredes da amargura
Quero falar-lhe mas não sei
Parece que algo me segura

Oiço sussurros de dor
Gemidos que fazem estremecer
Palavras sem nexo e um choro ainda maior
Evocam o nome de Deus sem saber

Oiço sussurros de aflição
Vindos de um céu estilhaçado
Perco o sentido e a noção
Vejo-me num mundo fechado

Oiço sussurros perdidos
Que vagueiam pela madrugada
Quero guiá-los no caminho
Mas confesso, estou estafada

Oiço sussurros que magoam
E ferem sem dó nem piedade
Não consigo fazê-los parar
Hão-de levar-me à insanidade

Oiço sussurros que sussurram
E me dizem que os conheço bem
Pois quem provoca tal barulho
É minha alma que não sabe o que tem

segunda-feira, 14 de julho de 2008

VOU DAR O MELHOR DE MIM

Mais um dia sem te ter
O Sol não quer acordar
Minhas lágrimas vão perceber
E vou continuar a chorar

Só sou metade do que era
Já não estou completa
Perdi minha direcção
Nem vou atingir a meta

Vou tentar enganar
Aquele que fizeste sofrer
Não sei se vou conseguir
Meu coração vai perceber

Rasgaste a folha mais importante
Da nossa história de amor
Nela estava a confiança
Que quebraste sem pudor

Posso agora não reagir
Mas sei que vou conseguir
Porque minha alma não tem fim
E vou dar o melhor de mim



quinta-feira, 29 de maio de 2008

DESABAFO

Na penumbra do silêncio
Oiço teu jeito mordaz
E nas entranhas que sinto cá dentro
Não oiço nada, tanto faz.

Triste sina esta a que me dou
Sem lutar, gemer ou negar
Insisto em não saber quem sou
Por ter medo de já me saber cuidar.

Resigno-me com as desventuras
De quem não luta por ter perdido
Pois uma batalha só está ganha
Quando a guerra deixa de fazer sentido.

Precários, hipócritas e hostis
Aqueles que se deixam ser levados
Pensam que ao viverem tão subtis
A vida não lhes tem os açaimes preparados.

Raiva! Sinto raiva de quem crê
Que no futuro está o melhor que existe
Não sabem que o passado que ninguém vê
Está sempre na origem, é o que persiste.
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