AVISO

É expressamente proibida a cópia ou reprodução em parte ou na totalidade do conteúdo deste blog, sem prévia autorização, estando reservados os direitos de Autor.

Mostrar mensagens com a etiqueta tristeza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tristeza. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Pela Fé


Posso caminhar na noite ainda escura

Mas o breu não me tolda a visão

Quem pela fé sabe aquilo que procura

Nunca perde o motivo da sua direcção

 

Posso deixar o desânimo fazer uma visita

Mas não o deixo nem aquecer o lugar

Quem pela fé sabe aquilo em que acredita

Nunca perde a força do que a faz lutar

 

Posso ter a tristeza nos bolsos dos casacos

Mas nem sempre desaperto o botão

Quem pela fé sabe como colar os cacos

Nunca se deixa abater pela desilusão

 

Posso enxugar os olhos nem sempre molhados

Mas o arco-íris pode nascer da tempestade

Quem pela fé sabe o caminho dos iluminados

Nunca se deixa iludir pela inútil vaidade


 

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Esticar o fio

 


Olhamo-nos muito pouco

E como um assumido louco

Remediamos a situação

As desculpas vêm à tona

Certinhas como uma sanfona

Passaram a ser uma obrigação

 

Não caminhamos na mesma estrada

Dizemos que a vida é tramada

E que os nossos compromissos andam trocados

Deixámos este amor passar de validade

Mas somos bons a iludir a felicidade

E ninguém suspeita que da mentira somos doutorados

 

Os nossos sorrisos já não terminam num beijo

Já não sonhamos com uma entrada em azulejo

Fomos rápidos a extinguir o fogo que parecia não cessar

Já não nos chamamos de amor em cada telefonema

Idiotas, fiámo-nos num inútil e triste esquema

Agora, vamos esticando o fio até ele quebrar


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Primeiro Andar


Abri a janela do esconderijo onde vivo

Necessito enxergar o que me aprisiona

Sei que apenas de tristeza sobrevivo

Faço um enorme esforço para me manter à tona

 

Vejo passar os sorrisos que me abandonaram

Dizem que me tornei vítima da minha agonia

Juro que lutei contra o que me armaram

Mas a escuridão apoderou-se de toda a alegria

 

Neste primeiro andar de ecos ensurdecedores

A solidão ocupou toda a velha, e pouca, mobília

Os meus pés arrastam-se como perdedores

Passo as noites em constante e assustadora vigília

 

Oiço a passar na rua a resiliência que, tristemente, perdi

Voltam as saudades dos sonhos livres e ambiciosos

Sou um monte de inutilidade que se vai deixar morrer aqui

Com medo de voltar a entrar no jogo dos corajosos

 

Já ninguém bate à porta ou pede para entrar

Acredito que o vazio da alma se propagou na comunidade

Anseio pela libertação do que me faz assim definhar

Espero passar algum dia pela rua da felicidade


 

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

No meu pior

 


Perdi-me no caminho da insensatez

E encontrei as palavras ditas sem pensar

Perdi-me na encruzilhada da malvadez

E encontrei as lágrimas que ousei causar

 

Não resisti contra a má vontade

Agi de maneira injusta precipitadamente

Não resisti às teias da ociosidade

Agi sem atenção e desinteressadamente

 

Reconheço os meus erros e falhas

Tento esforçar-me por ser muito melhor

Não quero ser associada às escumalhas

Peço perdão a quem estive no meu pior


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Dias Cinzentos

 


Bebo um chá quente e olho pela janela

A vista nada se compara a uma aquarela

O dia está frio, sombrio e pesado

Ainda de pijama e sem nenhuma vontade

Decido que tenho de combater a ociosidade

Todo o tempo é precioso se for bem aproveitado

 

Vou para o jardim podar as roseiras

A natureza enche-nos as algibeiras

Respirar o ar puro é um bálsamo reparador

Combater um dia cinzento requer pulso forte

Agradecer os contratempos pode trazer sorte

O bem no mundo só pode avançar com amor


segunda-feira, 16 de maio de 2022

O álbum de fotografias

 


Não encontro o álbum de fotografias

Aquele que tu nunca vias

Lembro-me de o ter guardado na gaveta

Naquela cómoda de madeira preta

Hoje bateu uma saudade do passado

Quis reviver um amor já ultrapassado

Olhar aquelas fotografias fazia-me bem

Sentia-me acompanhada e não um zé ninguém

Usávamos sorrisos em todas as fotografias

Afinal estavas a camuflar o amor que não sentias

Tenho a certeza que não mudei de lugar

E tu, com certeza, não as querias encontrar

Agora como vou tapar este vazio no peito

Entrego-me à saudade e choro no leito?


sexta-feira, 6 de maio de 2022

Sofro de Melancolia

 


Perguntei ao espelho o porquê da minha tristeza

Se notou que estava diferente, se me reconhecia

Respondeu-me que pareço ter ainda a mesma beleza

Mas sofro, indubitavelmente, de pura melancolia

 

Perguntei ao espelho porque tenho ânsia de chorar

Sinto que me foge a vontade de ter alegria

Respondeu-me que posso querer não acreditar

Mas sofro diariamente de simples melancolia

 

Perguntei ao espelho o porquê do mau feitio

Por vezes a raiva toma conta do meu dia

Respondeu-me que posso não ter fastio

Mas sofro, irremediavelmente, de melancolia

 

Perguntei ao espelho porque sinto ingratidão

A minha alma está fraca e a ficar vazia

Respondeu-me que posso sentir bater o coração

Mas sofro, tristemente, de melancolia


quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Afogar em chão seco

 


O medo decidiu ter aulas de natação

Para não se afogar nas minhas lágrimas salgadas

Há quem se afogue em seco chão

Sem nunca ter, sequer, as mãos molhadas

 

O desassossego é pesado e teimoso

Nunca tem mais nenhum compromisso

Já lhe disse que o acho espalhafatoso

Não me faz falta, nem para encher chouriço

 

A tristeza dilacera as entranhas

A angústia é desmoralizante

As alegrias são-me todas estranhas

A escuridão tornou-se a minha acompanhante


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Olhos secos

 



Tropeço regularmente mesmo sendo fácil o caminho 

A ingratidão cola-se a mim e empurra-me com jeitinho

Raras vezes levanto orgulhosamente a cabeça

Coragem e orgulho não é mal de que padeça

As lágrimas são teimosas, não saem com regularidade

Os olhos continuam secos, isentos de humidade

Guardei os sorrisos para os dias mais cinzentos

Mas esqueço-me de os usar nos maus momentos

A ociosidade anda a cercar-me desavergonhadamente

Acredita que me vou juntar ao bando e ser sua crente

Que minhas forças não me abandonem no barco singelo

Se não segurar os remos, nunca vencerei o duelo


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

A Vida tem que fazer sentido

 



Há quem guarde a esperança

Bem apertada como uma trança

Para, se um dia, a coragem estremecer

Termos um abrigo onde recorrer

Há quem viva isolado de fraternidade

Agindo com a maior normalidade

Evitando a todo o custo a partilha

Enclausurando o amor numa ilha

Iludem-se que o mundo pode evoluir

Sem compaixão nem generosidade se sentir

Há quem sofra pela tristeza do irmão

E faz o possível para dar mais que a mão

A vida só pode ter um verdadeiro sentido

Se viver, englobar um amor repartido

O universo recebe o que lhe é dado

E retorna na mesma moeda, sem nenhum trocado


sábado, 5 de setembro de 2020

Abandono Cruel

 


As casas estão degradadas, já foram bonitas

Os anos não se compadeceram das suas fitas

O chão nunca conheceu o asfalto

O abandono causa algum sobressalto

Os habitantes são poucos e em idade sábia

A juventude abalou, inchada em lábia

O lugar que outrora foi muito apetecido

Está por sua conta, mas sente-se perdido

Dizem que quando a alegria se quiser reformar

É ali que vai ver uma casa para arrendar

Os políticos que tanto aclamaram nas eleições

Abandonaram-nos à sorte sem direcções

A aldeia ainda tem a sua beleza crua

Mas há quem não goste da verdade nua

Os senhores, ao domingo, jogam à malha

Juntam-se no largo da capela, ninguém falha

As senhoras reúnem-se na casa mais soalheira

Relembram a mocidade, tão bonita companheira


sexta-feira, 20 de março de 2020

Berros e Gritos


Gritei aos quatro ventos
E relatei os meus tormentos
Precisava aliviar o meu peito

Não obtive nenhuma resposta
Mas fiquei bem mais disposta
A fazer o percurso bem feito

Não há como a leveza da alma
É como uma noite calma
Onde adormecer parece divino

A paz interior faz maravilhas
É mais saudável que as ervilhas
E é mais hidratante que o pepino

Por isso grito e berro bem alto
Nem que seja parada no asfalto
Há que libertar a má energia

Não importa que nos tomem por loucos
Não quero é fazer ouvidos moucos
E acabar num estado de letargia

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Pedi licença à tristeza


Pedi licença à escuridão da madrugada
Para partir um pouco mais cedo
Hoje falta-me ver luz na enseada
Preciso dar um fim a este medo

Pedi licença ao nevoeiro intenso
Para se dissipar com mais rapidez
Eu sei que consigo, mas quanto mais penso
Acabo sempre aliada à pequenez

Pedi licença à tristeza que me acompanha
Sugeri-lhe que tirasse um dia para férias
Finjo que gosto dela, mas faço manha
Causa-me mal-estar e entope-me as artérias

sábado, 30 de novembro de 2019

A casa que foi nossa


Nos mosaicos da casa que foi nossa
Alguém pintou um coração partido
Não é que me afecte, mas faz mossa
Estou a tentar ultrapassar, sem alarido

O telhado da casa que nos pertenceu
Começou a ceder ao abandono
Desistiu de encobrir o mal que aconteceu
Já não vai resistir a este outono

As janelas da nossa casa encantada
Estão estilhaçadas e desprovidas
A vida que prometeste requintada
Nunca conheceu senão as feridas

sábado, 19 de outubro de 2019

Morri de tristeza


Ontem morri de tristeza
Sem sequer um aviso de recepção
Parti sem nenhuma certeza
Ainda desconheço a principal razão

Ontem morri de tristeza
Abandonei o barco em alto-mar
É tão mais fácil alegar lerdeza
Que assumir o leme e navegar

Ontem morri de tristeza
E só eu chorei por mim
Ninguém viu a minha fraqueza
Nada mais há p'ra lá do fim

Ontem morri de tristeza
A cobardia ganhou o fraco combate
A coragem acabou na pobreza
E eu parti sem tentar um empate

Ontem morri de tristeza
Mas a minha alma ainda vagueia
Todo o meu corpo é pura leveza
E apenas o vazio me rodeia

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

A força pediu demissão


O silêncio e o vazio profundo
Decidiram habitar no meu interior
Diariamente sinto e vejo que me afundo
Cobardemente assumi que não sou lutador

A força que me fazia rasgar a ociosidade
Há muito que pediu a sua demissão
Coloquei no jornal a publicidade
Mas ninguém se candidatou à função

Em breves instantes ganho o primeiro assalto
E tenho vislumbres de como é ter coragem
Ainda passo a maior parte caído no asfalto
O sonho de ser alguém ainda é uma miragem

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Vida Angustiada


Vou cambaleando com as forças na reserva
A capacidade de discernimento em conserva
Já passou para lá do aconselhado
Nas conversas tento parecer ao corrente
Mas quem mais jura mais mente
E certamente o meu discurso será apanhado

O sorriso enganoso que insisto em ostentar
Vai-me levando adiante a enganar
Quem comigo ainda quer interacção
Chegará o dia da triste realidade
Não poderei alegar insanidade
Será o momento de toda a revelação

Muitos vão julgar e continuar na hipocrisia
Outros vão sentir a minha agonia
Vou causar um sentimento contraditório
Quem leva uma vida angustiada
Seguindo sem contradizer a manada
Nunca se sente parte do território

domingo, 30 de junho de 2019

À espera do autocarro


Na correria dos dias arrastados
Vejo cada vez mais pesados
Os olhos daqueles com quem me cruzo
Nos bancos do, quase vazio, jardim
Não oiço nem vejo nenhum frenesim
Apenas solitários de rosto confuso

À espera do, já apinhado, autocarro
Lembram-me figuras de barro
Aqueles que mal se conseguem mexer
Os olhares tristes e indecifráveis
Projectam os sonhos vulneráveis
Que cobardemente deixaram morrer

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Chora, deixa chorar

Fonte: Google Images

Chora que faz bem
Deixa a água correr
Só não sabe quem não tem
Como é triste sofrer

Chora, deixa chorar
Assim lava a escuridão
Nem sempre apetece cantar
Mesmo já sabendo a canção

Chora, extravasa
Deita cá para fora
A panela estando rasa
Verte sem demora

Chora ao teu jeito
Deixa a cara molhada
O peso que sai do peito
Torna a alma menos pesada.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...