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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Primeiro Andar


Abri a janela do esconderijo onde vivo

Necessito enxergar o que me aprisiona

Sei que apenas de tristeza sobrevivo

Faço um enorme esforço para me manter à tona

 

Vejo passar os sorrisos que me abandonaram

Dizem que me tornei vítima da minha agonia

Juro que lutei contra o que me armaram

Mas a escuridão apoderou-se de toda a alegria

 

Neste primeiro andar de ecos ensurdecedores

A solidão ocupou toda a velha, e pouca, mobília

Os meus pés arrastam-se como perdedores

Passo as noites em constante e assustadora vigília

 

Oiço a passar na rua a resiliência que, tristemente, perdi

Voltam as saudades dos sonhos livres e ambiciosos

Sou um monte de inutilidade que se vai deixar morrer aqui

Com medo de voltar a entrar no jogo dos corajosos

 

Já ninguém bate à porta ou pede para entrar

Acredito que o vazio da alma se propagou na comunidade

Anseio pela libertação do que me faz assim definhar

Espero passar algum dia pela rua da felicidade


 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Tens o coração vazio

 


Ouvi dizer que sentes o teu peito frio

Porque deixaste o teu coração ficar vazio

Dizem que não te incomoda esta tua opção

Que desististe de amar e de procurar a paixão

Ouvi dizer que os teus sentimentos têm validade

Nunca os guardas nem sentes necessidade

Dizem que o teu sorriso é escasso e fugaz

Dificilmente o ar carrancudo te trará alguma paz

Ouvi dizer que esvaziaste a alma com confiança

Nem quiseste fazer uma cópia de segurança

Tenho dó da tua nova, e estranha, envergadura

Estás a transformar-te numa triste e solitária criatura

Dizem que este teu viver nunca vai dar frutos

Se a morte contigo se cruzar, vai ser como os putos

É sempre hora e lugar para uma brincadeira

Quando a vontade de jogar vem estampada na bandeira


terça-feira, 14 de julho de 2020

Alma Vazia

Acordei de alma dorida e vazia

Espero que seja curta a estadia

Sinto-me sem meta nem direcção

Preciso encher esta oca sensação

Saio em busca da causa da minha maleita

Vagueio pelas ruas, parece que algo me espreita

Não reconheço os rostos com que me cruzo

Porque me olham assim? que abuso!

Faço uma pausa para descansar o esqueleto

Sento-me à sombra, num banco preto

Tento organizar os passos a seguir

Qual a melhor táctica para prosseguir

A meio da tarde penso no regresso

Admito, não fiz nenhum progresso

Este vazio, espero, seja passageiro

Se não for, amanhã alicio-o com dinheiro

Chegada a casa, meu lar, meu castelo

Tratadas as tarefas, calcei o chinelo

Ocupar o corpo e, maioritariamente, a cabeça

Faz um bem danado ao mal que se padeça

Quando a noite chegou, a alma estava curada

A causa, se existiu, certamente ficou desvendada


terça-feira, 9 de abril de 2019

Não me levanto


No pensamento mais duro
Eu sempre procuro
Uma fuga para a solidão
Na amargura do vazio
Eu tremo mesmo sem frio
E choro em convulsão

Já não conheço a estrada
Perdi o fio à meada
Sigo a favor da ventania
Se cair não me levanto
Tamanho é o meu pranto
Não me contento com a mediania.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Casa vazia

Fonte: Google Images

Deixaste-me o silêncio
Numa casa vazia
Provaste ser um jumêncio
Com demasiada primazia

Nem o sol quer entrar
Nas poucas janelas da casa
Sozinha não consigo iluminar
E a escuridão só me desfasa

Vou fazer uma remodelação
Este lar precisa de um futuro
Sem ti aprendi uma lição
Sem carga salta-se melhor o muro.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Sinto-me sem rumo

Fonte: Google Images

Sinto-me pior que poeira do chão
Desvairada em dia de ventania
Perco tantas vezes a razão
Nunca disse realmente o que queria

Sinto-me pior que água da sarjeta
Tristemente tornei-me obsoleta
O vazio agora sou eu
Perdi ao jogo com a mediocridade
Já não encontro a felicidade
Levaram tudo o que era meu

Sinto-me pior que as grades do jardim
Enferrujadas com o passar do inverno
Juro que nunca quis isto p’ra mim
Será este sofrimento eterno?

terça-feira, 3 de abril de 2018

Quem não tem Alma

Fonte: Google Images

Quem não se olha ao espelho
Ou olha para o do vizinho
Depressa se faz velho
Por andar em mau caminho

Quem julga logo à primeira
Sem ponderar estar errado
É pior que uma semana inteira
Sem direito a nenhum feriado

Quem não olha nos olhos
Com medo de se desvendar
É como uma saia aos folhos
Com a bainha a querer se desmanchar

Quem não ajuda na aflição
Nem se comove com a desgraça
Quando for chamado à razão
Já não lhes querem nem a carcaça.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Ninguém me viu

Fonte imagem: internet

O deserto que atravessei
Ninguém me viu passar
As lágrimas que derramei
Ninguém me viu chorar

Os muros que me cercam
Ninguém me viu construir
As garras que me dilaceram
Ninguém as vê a me ferir

A culpa que me pesa
Ninguém me vê a carregar
A penitência em cada reza
Ninguém me ouve a orar.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Não oiço mais nada

Imagem retirada da internet

Arrasto o meu corpo
Que se faz de morto
Até à beira da estrada
Já não sinto frio
Não sei se é vazio
Mas não oiço mais nada

Deixo-me ficar quieta
Esta dor que me espeta
Quer arrancar-me a vida
Pode ser que passe alguém
Que não me olhe com desdém
E perceba que não estou de partida.

domingo, 19 de novembro de 2017

A Velhice à varanda

Imagem: internet

Sentada numa cadeira de baloiço
A apanhar sol na varanda
Quando passo sempre a oiço
A divagar na mesma propaganda

Os dias já não os conta
Diz que é tempo perdido
A noite já não amedronta
Agora é esperar o merecido

Diz-me que o silêncio a visita
Apesar de não ser convidado
Então faz de mau da fita
E não responde ao perguntado

Assim passa os dias a velhice
Diz que já se habituou à solidão
O que lhe fizeram foi canalhice
Mal eles sabem que por lá passarão.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Padeço de enorme vazio

Imagem: internet

Padeço de um enorme vazio
Da alma e do pensamento
Não tenho calor nem frio
Nem conheço o meu talento

Está vazia a meta
E o trajecto a seguir
Perdi de vista a seta
Não sei como reagir

O vazio é quem comanda
Roubou-me o significado
Não faço parte da banda
Do mundo fui isolado.

                                                            

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

VAZIO E SOLIDÃO

(imagem retirada da internet)

Às vezes o vazio é enorme
Tudo consome
Sem olhar a meios
O silêncio faz-lhe companhia
A alma fica mais fria
E a vida aceita perder os freios

A penumbra impera
Nos dias de solidão
A presa cedeu à fera
A luz perdeu para a escuridão

Os ossos sentem o frio
Que gelam sem piedade
Volta de novo o vazio
Insiste em levar-me a sanidade

Apelo à coragem
Por mais uma viagem
Sem forças não consigo seguir
A fé começa a esvair-se
A esperança a partir-se
O pesadelo volta a assumir

Sou um pedaço de pedra
Ao pó irei regressar
Vou sobrevivendo como a hedra
Trepando para tentar escapar.
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