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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Primeiro Andar


Abri a janela do esconderijo onde vivo

Necessito enxergar o que me aprisiona

Sei que apenas de tristeza sobrevivo

Faço um enorme esforço para me manter à tona

 

Vejo passar os sorrisos que me abandonaram

Dizem que me tornei vítima da minha agonia

Juro que lutei contra o que me armaram

Mas a escuridão apoderou-se de toda a alegria

 

Neste primeiro andar de ecos ensurdecedores

A solidão ocupou toda a velha, e pouca, mobília

Os meus pés arrastam-se como perdedores

Passo as noites em constante e assustadora vigília

 

Oiço a passar na rua a resiliência que, tristemente, perdi

Voltam as saudades dos sonhos livres e ambiciosos

Sou um monte de inutilidade que se vai deixar morrer aqui

Com medo de voltar a entrar no jogo dos corajosos

 

Já ninguém bate à porta ou pede para entrar

Acredito que o vazio da alma se propagou na comunidade

Anseio pela libertação do que me faz assim definhar

Espero passar algum dia pela rua da felicidade


 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Afogar em chão seco

 


O medo decidiu ter aulas de natação

Para não se afogar nas minhas lágrimas salgadas

Há quem se afogue em seco chão

Sem nunca ter, sequer, as mãos molhadas

 

O desassossego é pesado e teimoso

Nunca tem mais nenhum compromisso

Já lhe disse que o acho espalhafatoso

Não me faz falta, nem para encher chouriço

 

A tristeza dilacera as entranhas

A angústia é desmoralizante

As alegrias são-me todas estranhas

A escuridão tornou-se a minha acompanhante


terça-feira, 10 de novembro de 2020

É possível ver o Arco-Íris

 



É possível enxergar o arco-íris num dia cinzento

Basta ponderar o que realmente nos faz falta

O sorriso pode nascer de um mau momento

É tão ou mais feliz quem nunca esteve na ribalta

 

É possível fazer frente às adversidades

Basta agarrar os sonhos como agarramos os segredos

Viver, reconhecendo que há sempre tempestades

Torna-nos capazes de derrotar os nossos medos

 

É possível cantar sem conhecer a letra da canção

Basta entoar a melodia que nos alegra o pensamento

De pouca farinha também se faz o pão

É sempre uma mais valia transmitir o conhecimento


domingo, 27 de janeiro de 2019

O medo é gigante



Vou subindo os degraus
Com medo e cautela
Galhos também são paus
Antes livre que numa cela

Cuidado nunca é pouco
Para quem nasceu medroso
É melhor parecer louco
Que um fraco corajoso

O terraço parece diminuto
Quando o medo é gigante
O horizonte saiu-nos astuto
E a coragem continua distante.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Não compreendo…

Fonte: Google Images

Não compreendo o enredo
De quem diz que tem medo
E faz tudo ao contrário
Não percebo a dita história
Se querem ficam na memória
De como ser um otário

Não percebo a ousadia
De quem diz que é simpatia
Exigir por um favor
Nunca vou compreender
Quem só se quer intrometer
Para causar apenas terror.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Alma, até Almeida

Fonte: Google Images

O dinheiro é que comanda a alavanca
Que sem piedade governa o mundo
A democracia já bateu no fundo
E a liberdade segue manca não manca

O poder está nas mãos erradas
A pobreza está em expansão
Triste daquele que não poupa um tostão
E que em cada esquina vê encruzilhadas

Alma, até Almeida
Do medo nascem os heróis
Seremos mais brilhantes que mil sóis
E gigantes como uma cefeida.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Pedra no Caminho

Imagem retirada da internet

Encontrei uma pedra no caminho
Deixada propositadamente
O meu medo ficou sozinho
E eu não soube seguir em frente

Dei-me por derrotada
Não consegui atravessar
Sinto-me abandonada
E sem forças para lutar

Ainda não me eduquei
A desviar-me da gravilha
Não é difícil, eu sei
Mas caio sempre na armadilha

Hei-de ganhar força e coragem
Para jogar a pedra fora
Até lá sigo a minha viagem
Sem saber onde o heroísmo mora.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Sonhar (os sonhos)


(Imagem: http://www.huffingtonpost.com/dreamscloud/sleep-and-dreaming_b_4569753.html)


Sonhar acordado
Por um bocado
Ajuda a desanuviar
Os sonhos libertam
Por vezes despertam
Quem se deixa abalar

Sonhar com o futuro
Que se pula o muro
E acabar por cair
Sonhar com o medo
Que se tem um segredo
Prejudica quem quer evoluir

Sonhar com alegria
Que seja em demasia
E nos faça crescer
Os sonhos são sinais
Às vezes especiais
São um modo de viver.

terça-feira, 17 de março de 2009

TENHO MEDO...

(imagem retirada de feiticosdacarol.zip.net)

Tenho medo de falar
Tenho medo de não ouvir
Tenho medo de aceitar
Quem insiste em me ferir

Tenho medo da luz
Tenho medo do escuro
Tenho medo de não seguir
Pelo caminho mais seguro

Tenho medo de mim
Tenho medo de alguém
Tenho medo porque assim
Vivo num eterno vaivém

Tenho medo de ver
Tenho medo de cegar
Tenho medo de não conseguir
Os meus sonhos alcançar

Tenho medo de tudo
Tenho medo de nada
Tenho medo dia-a-dia
De me desviar da estrada

Tenho medo de ter medo
E tenho medo de não ter
Porque viver sem ter medo
Não me ajuda a saber viver
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