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terça-feira, 14 de julho de 2020

Alma Vazia

Acordei de alma dorida e vazia

Espero que seja curta a estadia

Sinto-me sem meta nem direcção

Preciso encher esta oca sensação

Saio em busca da causa da minha maleita

Vagueio pelas ruas, parece que algo me espreita

Não reconheço os rostos com que me cruzo

Porque me olham assim? que abuso!

Faço uma pausa para descansar o esqueleto

Sento-me à sombra, num banco preto

Tento organizar os passos a seguir

Qual a melhor táctica para prosseguir

A meio da tarde penso no regresso

Admito, não fiz nenhum progresso

Este vazio, espero, seja passageiro

Se não for, amanhã alicio-o com dinheiro

Chegada a casa, meu lar, meu castelo

Tratadas as tarefas, calcei o chinelo

Ocupar o corpo e, maioritariamente, a cabeça

Faz um bem danado ao mal que se padeça

Quando a noite chegou, a alma estava curada

A causa, se existiu, certamente ficou desvendada


domingo, 20 de janeiro de 2019

Dias sem inspiração


O céu está nublado
O dia mais pesado
Preciso de claridade
A luz traz-me saciedade

O vento não vai em conversa
Passa sem um cumprimento
A chuva cai dispersa
O frio está no seu momento

Nestes dias sem inspiração
E da pouca vontade
Entrego-me sem reclamação
À tão aclamada ociosidade.
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