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segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

O desânimo

 


O desânimo instalou-se sem ter hora marcada

Julga-se importante, não dá satisfações a nada

Escolheu o melhor quarto, com vista para o lago

E com o maior desdém, disse “depois eu pago”

 

É arrogante, abusado e prepotente

Acha-se melhor que toda a gente

Coabitar com o desânimo é desafiante

É uma luta desigual e de perigo constante

 

Insistiu em prolongar a sua estadia

Mesmo sabendo que não o devia

Ter ouvidos moucos e paciência a dobrar

Até que o desânimo nos queira abandonar


quinta-feira, 20 de julho de 2023

Pela Fé


Posso caminhar na noite ainda escura

Mas o breu não me tolda a visão

Quem pela fé sabe aquilo que procura

Nunca perde o motivo da sua direcção

 

Posso deixar o desânimo fazer uma visita

Mas não o deixo nem aquecer o lugar

Quem pela fé sabe aquilo em que acredita

Nunca perde a força do que a faz lutar

 

Posso ter a tristeza nos bolsos dos casacos

Mas nem sempre desaperto o botão

Quem pela fé sabe como colar os cacos

Nunca se deixa abater pela desilusão

 

Posso enxugar os olhos nem sempre molhados

Mas o arco-íris pode nascer da tempestade

Quem pela fé sabe o caminho dos iluminados

Nunca se deixa iludir pela inútil vaidade


 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Nada para Soprar

 


As pedras transformaram-se em gravilha

A terra estremeceu e virou pó

A presa desmantelou a armadilha

Decidiu, ponderadamente, deixar de viver só

 

A chuva ficou-se pelas gotículas

Nada mais havia que lavar

O vento foi deixando as suas partículas

Mentalizou-se que nada tinha para soprar

 

O sol deixou as nuvens cobri-lo

Para quê brilhar se não há vida?

O seu desânimo, pôde a lua senti-lo

De noite no céu, chorou perdida

 

O dia nasceu sem tarefas a cumprir

A inércia estava a consumir a esperança

Ao anoitecer alguém fez uma lista a seguir

Amanhã será o começo da perseverança


terça-feira, 7 de julho de 2020

O Futuro da Humanidade

Se o futuro deste mundo em crescente fome do mal

São os, indiferentes, jovens que vivem no virtual

Não sei o que pensar da pobre humanidade

Se a salvação de um planeta mais ponderado

Depender da juventude com um vício acelerado

Temo pelos vindouros, pela sua sanidade

 

A geração do não quer, do não faz, do não há problema

Está a gerar uma onda de gente lerda e sem dilema

O medo perdeu o reinado da credibilidade

Clamo preces ao universo, peço amparo

Que lance sobre os jovens um disparo

Abra as mentes e inutilize a ociosidade


quinta-feira, 9 de abril de 2009

O DIA DE HOJE

(imagem retirada de byfiles.storage)

Olho a janela
Sem motivo nem razão
Parece que o céu sabe
Como se sente o meu coração

O dia está sombrio,
Sem luz, sem vontade
E o céu em contínuo aviso:
“hoje não vos dou a claridade”

Nas pequenas gotas de chuva
Que começam a cair
Sinto um leve perfume
E uma enorme vontade de não desistir

Finalmente cai a noite
Negra, como só ela sabe ser
Fecho os olhos e adormeço
Esperando um novo dia nascer

segunda-feira, 14 de julho de 2008

SOLIDÃO

Nos momentos de solidão
Em que a tristeza é o que mais reina
Penso em tudo, não penso em nada
Sou mais eu, tenho mais teima

Não oiço nada em meu redor
Só um silêncio que até magoa
Vejo-te a passar sem me olhares
Caminho sem rumo, ando à toa

Penso que tão só
Me vou abaixo, vou partir
Vou deixar um estado de alma
Vou para sempre, vou a sorrir

Solidão que és tão cruel
E tão meiga sem saber
Talvez sem ti não soubesse nada
Nem soubesse como é bom viver
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