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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Inútil Papelada

 


Procuro avidamente nas minhas anotações

Recordo-me que já te escrevi angustiada

As palavras que leio não passam de sermões

Necessito reorganizar esta inútil papelada

 

Lembro-me que já tinha anoitecido

A penumbra e o frio estavam de soslaio

Escrevi-te como quem procura algo perdido

Acompanhada pela vivacidade de um catraio

 

Era madrugada quando cessei a escrita

E, juro, guardei nesta gaveta onde procuro

Acredito que o universo por vezes me irrita

Para saber o quanto o meu temperamento é duro

 

Se me lembrasse do que escrevi na missiva

Iria dizer-to até o fôlego me abandonar

Sei apenas que eram frases inofensivas

Escritas para quem, gratuitamente, me quis magoar


quinta-feira, 15 de abril de 2021

Conta corrente do Amor

 


Transferi para uma conta secreta

Uma percentagem bastante discreta

Do amor que, para já, não está a uso

Só eu sei os códigos de acesso

E todos os elementos do processo

Para os de fora, é um esquema muito confuso

 

Uma ou duas vezes por semana

Ou consoante me der na gana

Vou consultando o saldo disponível

Sei que poderei fazer levantamentos

Com devida indicação nos apontamentos

Mas apenas do que for prescindível

 

Acabei por ter de fazer um depósito

Gostava de ter feito de propósito

Mas voltou a sobrar-me algum amor

Custa-me gastar desnecessariamente

Com quem não merece a minha conta corrente

Parece que, por agora, vou aumentando o valor


domingo, 21 de março de 2021

Tropeções no caminho

 


Nos tropeções com que a vida nos surpreende

O chão recebe-nos, mas não nos prende

Importa saber levantar de cabeça erguida

Sacudir a poeira e retomar as rédeas da vida

Tropeçar, pode acontecer a qualquer um

Cair não é vergonha, nem tira pedaço algum

Quem não caminha com humildade na algibeira

Mais tropeça e mais se suja de poeira

O caminho pode ser áspero e ventoso

É essencial conseguir evitar o invejoso

Se a chuva começar a cair sem pedir licença

Sorria e feche os olhos, agradecer faz diferença

Nas encruzilhadas de escolha difícil e duvidosa

Aliar a cabeça ao coração é uma arma poderosa

O fruto que será colhido, na meta tão desejada

Terá melhor sabor se tivermos aprendido com a estrada


terça-feira, 16 de março de 2021

Será que sou Poeta

 


Será que sou poeta de alma doente

Instalado num cativeiro de palavras indecisas

Será que ser poeta é escrever o que se sente

Proclamar a céu aberto quando se mente

Deixando a bola entrar em todas as balizas

 

Será que sou poeta por escrever alinhado

Despejo os pensamentos em catapulta

A caneta fez-se o meu melhor aliado

As folhas deixam-se encher do meu palavreado

No fim o poema até parece que resulta

 

Será que sou poeta apenas por saber rimar

Porque iludo o mundo sobre a minha essência

Digo que sofro sem nem sequer clamar

Enxugo as lágrimas que nem vi derramar

Será que ser poeta é ser vizinho da demência

 

Será que sou poeta de versos sem noção

Ou nem perto caminho de ser poeta algum

A mente inquieta comanda a minha mão

Fora da minha janela tudo é inspiração

Poeta é ter os sentimentos e não querer nenhum


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Palavras em excesso


Sofro de excesso de palavras acumuladas

Fogem-me da alma e deitam-se alinhadas

Insistem em se manter em rima constante

Reclamam que de outra maneira seria ultrajante

Pedem-me que siga, sempre, poetizando

Que as escreva tão bem como Fernando

Tenho receio da enorme, e medonha, responsabilidade

Viver a poesia é carregar, por vezes, a soturnidade

Tem dias que me fazem girar como um carrossel

Tamanha é a pressa de se verem escritas no papel

Os poemas nascem de um clique emocional

Impossíveis de travar e de imperceptível sinal

Ainda não sou poeta, nem a meio caminho vou

Os versos são um néctar que em mim se enraizou

 

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Expurgar o mal a escrever

 


De lapiseira na mão, com a alma triste e despedaçada

Escrevo o que me atormenta o coração, a angústia tornou-se pesada

As mãos querem tremer, mas não as deixo serem cobardes

Vou expurgar o mal a escrever, nem que esgote todas as tardes

Escrita apressada como eu, indicar o culpado é o objectivo

Na verdade, foi ele quem perdeu, nunca foi tenaz nem afectivo

 

As linhas enchem-se de frases, duras, verdadeiras e doridas

Não descendeste dos audazes, só aprendeste a criar as feridas

São páginas de desabafo que, estranhamente, me reedificam

O dia ainda não está safo, porque as entranhas ainda me picam

Irei escrever noite dentro, as folhas irão transbordar de caligrafia

Amanhã noticiarão o epicentro e divulgarão a bibliografia



terça-feira, 14 de abril de 2020

Escrever é Lutar


À luz de um candeeiro antigo
Escrevo no papel o que me tira a paz
Podem achar que dava um bom artigo
Mas não partilho aquilo que mal me faz

A página já vai p'ra lá de meia
As palavras saem como cascatas
Por este andar à hora da ceia
Ainda estou a escrever filosofias baratas

Noite dentro continuei a labuta
A minha alma necessita de se expurgar
Cada frase é uma sentida luta
Até ao ponto final não me vou acobardar

A madrugada espreitou-me pela janela
Diz que teve pena de me ver assim
Antes que o sol tomasse o lugar dela
Pousei a caneta e fui cuidar de mim

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Perder o Caminho

Imagem: internet

Se perdeste a direcção
Ficaste sem sentido e sem noção
Tira um segundo para respirar
Por vezes parece complicado
Que o mundo está do lado errado
Mas tudo depende de como enxergar

Se já não conheces a estrada
E a recta parece estar errada
Faz uma pausa para pensar
O caminho vai estar sempre lá
Não importa como se vá
Interessa saber como caminhar.

                                                                            

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A Tristeza e a Solidão

Imagem: Internet

A tristeza veio acompanhada
Muito bem arranjada
Entrou sem pedir licença
A solidão que vinha com ela
Nem fechou a cancela
Agiu com total indiferença

A sua conversa era piedosa
Sem sentido, duvidosa
Um discurso lamentável
Ninguém as queria ouvir
Muito menos interagir
Com gente tão deplorável

A tristeza ficou sem assunto
E a solidão que veio junto
Encarou-a esperando uma reação
Não sabendo o que dizer
Muito menos o que fazer
Abalaram sem nem sequer uma saudação.
                                                                                        

sábado, 7 de janeiro de 2017

Não saem as palavras

Imagem: Internet

De caneta firme na mão
E folhas de papel em branco
Escrevo agora sem noção
Como o caminhar de um manco

Com o pensamento em bloqueio
E as palavras que saem turvadas
Sinto-me como o amigo do alheio
Que vive de coisas roubadas

A escrita não sai como combinado
Nem as letras querem colaborar
Tenho que dar o dia por terminado
Talvez amanhã já consiga palavrear.

                                                                           

terça-feira, 28 de junho de 2016

Tu Consegues


Quando o dia estiver cinzento
E o ar mais poeirento
Não deixes o desânimo vencer
Se a chuva começar a cair
E teimar em não querer sair
Espera o arco-íris aparecer

Quando estiver escuro
Procura as estrelas pelo brilho
O fruto só cai de maduro
Tu consegues traçar o teu trilho

Quando o frio picar o ponto
Vá lá dá-lhe um desconto
O fresco clareia o pensamento
Estar sempre com calor
Além de chato, causa suor
E afecta o comportamento

Agradecer, valorizar e repartir
Ser correcto nos valores a seguir
Ajudar, reconhecer e perdoar
Ser capaz de cair e levantar.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Assim é o meu Amor ♥

(imagem retirada da internet)


De jeito encabulado
E meio desajeitado
Com o sorriso maroto
E ares de garoto
Assim é o meu amor

Um cavalheiro a valer
Sabe sempre o que dizer
Com charme em demasia
Envolto em simpatia
Assim é o meu admirador

Faz-me lindas declarações
Escreve-me belas canções
Deixa-me derretida
Até meio perdida
Com tamanha dedicação

Aparece à hora marcada
Com a arte bem estudada
Dá valor aos sentimentos
Preserva os bons momentos
E conserva a nossa união.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Anjo da Guarda ♥

(imagem retirada da internet)


Anjo da Guarda guia os meus passos
Ajuda-me a caminhar em segurança
Faz-me merecedor dos teus abraços
Ensina-me a nunca perder a esperança

Anjo da Guarda és a minha companhia
És o meu Anjinho Protector
As tuas asas abrigam-me da ventania
Obrigado por seres o meu mentor

Anjo da Guarda é a ti que falo
Quando o dia me faz chorar
És tu quem afaga o meu abalo
Só tu me sabes acalmar

Anjo da Guarda minha alma é tua
Sei que contigo está em salvação
Anjo da Guarda teu amor me apazigua
Obrigado pela tua constante protecção.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Dias de Primavera

(imagem retirada da internet)


Céu azul, sol a brilhar
Ar puro, tão bom respirar
Flores lindas como companhia
Dias longos e de calmaria

Sombras frescas e sossegadas
Leituras de obras passadas
Passarinhos que regressam ao ninho
Feito com trabalho, amor e carinho

Árvores floridas, fruta caseira
Tardes de preguiça na esteira
Dias mornos sem espera
Dias felizes de primavera.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Hoje sinto...


Hoje sinto frio
E um enorme vazio
Que não querem desaparecer
Nem o calor do fogão
Ou o barulho da televisão
Ajudam a resolver

Hoje sinto uma fome
Que me consome
E me deixa à toa
Nem o pão ou a fruta
Conseguem dar luta
E saciar uma pessoa

Hoje sinto sonolência
E uma dormência
Que me deixam moribundo
Hoje fiz greve à vida
Não espero contrapartida

Quero é sossego no meu mundo.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Os meus sonhos

(imagem retirada da internet)



Chega o momento de adormecer
E de deixar os sonhos entrar
Em pouco tempo deixo de perceber
Quem fica realmente a comandar

As imagens, os sons e a confusão
Com que os meus sonhos se fazem
Deixariam qualquer um em contra-mão
E em puro estado de vadiagem

Gostava de sonhar colorido
Com passarinhos à mistura
E não parecer um doido varrido
Que sonha sempre com a loucura

Se os sonhos se pudessem realizar
A minha vida tinha os dias contados
Porque em matéria de saber sonhar
Os meus estudos ainda não estão terminados

Anseio pelos sonhos de calmaria
Repletos de serenidade
Ver-me livre desta doidaria
Será um sonho tornado realidade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Outono


(imagem retirada da internet)


As folhas começam a cair
O seu tempo já terminou
É o outono que começa a fluir
É o frio a dizer que já chegou

As cores agora são outras
Entre laranjas e avermelhados
Os dias são mais pequenos
E os agasalhos mais pesados

As frutas estão em alta
E a variedade é muito maior
São um presente da natureza
Todos estes sabores multicor

É uma estação de transição
Acompanhada de mudanças e nostalgia
É tempo de pensar em renovação
Outono é o silêncio da magia.



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