Procuro avidamente
nas minhas anotações
Recordo-me que já
te escrevi angustiada
As palavras que
leio não passam de sermões
Necessito
reorganizar esta inútil papelada
Lembro-me que já
tinha anoitecido
A penumbra e o frio
estavam de soslaio
Escrevi-te como
quem procura algo perdido
Acompanhada pela
vivacidade de um catraio
Era madrugada
quando cessei a escrita
E, juro, guardei nesta
gaveta onde procuro
Acredito que o
universo por vezes me irrita
Para saber o quanto
o meu temperamento é duro
Se me lembrasse do
que escrevi na missiva
Iria dizer-to até o
fôlego me abandonar
Sei apenas que eram
frases inofensivas
Escritas para quem,
gratuitamente, me quis magoar

















