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terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Pesca de Brejeirada

 


Fui à pesca num rio perdido na vegetação

Ansiando um dia de pesca muito proveitoso

Sentada no banquinho de madeira e cana na mão

Esperei com a devida paciência o primeiro tostão

Mas nada mordia nem de bom nem de maldoso

 

Olhei o balde ainda vazio, também à espera

Senti o seu total estado de desapontamento

Estando o rio isolado, onde a natureza impera

Sem nada a comprometer a atmosfera

Pensei que pescasse, pelo menos, o agradecimento

 

A meio da manhã algo mordeu o isco abanando a cana

Era forte, tamanha a força que fiz para puxar

Quando saiu trazia um ar de zangada e sacana

Ainda tentou disfarçar, mas a mim não engana

Tramada da ingratidão foi a primeira a trincar

 

Quase de seguida mordeu a inveja, a mostrar os dentes

Execrável como é e, infelizmente, sempre será

Joguei-a no balde com a outra das suas parentes

Criaturas desprezíveis repletas de más sementes

Que mais de nefasto e intragável neste rio haverá?

 

Quando saiu o egoísmo armado em vedeta

Juntei as trouxas e preparei-me para a retirada

O conteúdo do balde despejei na mais porca valeta

Era melhor parar antes que mordesse o capeta

A pesca hoje em dia transborda de pura brejeirada 


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