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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Escrever um Poema de Amor

 



Disseram-me que devia escrever, um poema de amor ideal

Melhor tónico não devia haver, para afoguentar qualquer mal

Olhei-os de soslaio, desconfiado de tamanha crendice

Nessa de certeza não caio, já me formei na técnica da aldrabice

 

Falaram-me das maravilhas de um amor digno de romance

Eu ainda desconfio das filhas, que nascem de um só freelance

Pediram com lamechice, escreve sobre um amor eterno

Não faço essa canalhice, inventar um mundo sem inferno

 

Vieram com carga da pesada, um poeta escreve o amor

Estão carregados p’ra nada, não sou poeta nem sequer escritor

Pega na caneta e deixa sair, poemas de amor nunca são demais

Eu não procuro um elixir, tento escrever apenas os meus ideais

 

Disseram-me que devia estar louco, o amor é o que mais vende

Sou pobre nascido com pouco, o que tenho a ninguém ofende

Para já fica ainda na prateleira, o poema de amor irrepreensível

Um dia solto a coleira, e a missão deixará de ser impossível


quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

O carteiro não trouxe a carta

O carteiro não deu com a minha morada
Continuo na mesma casinha à beira da estrada
Mas agora sem correspondência exterior
Já questionei a, pouca, vizinhança
Poderiam ter o meu correio, com alguma esperança
Afinal não havia carta do meu amor

Eu que tanto esperei pela tua carta
Já sentia a alma farta
Na ânsia de a receber
Será conspiração do universo
Que agora ande por aí disperso
O meu correio com um estranho a ler?

Vou fazer uma espera no início da rua
O carteiro tem que trazer uma carta tua
E nem julgue que se volta a enganar
Logo, sei que vou adormecer a sorrir
Terei o melhor remédio para dormir
Infeliz daquele que não sabe amar

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Já não vendem papel

Fonte: Google Images

Já não vendem na papelaria
O papel que eu queria
Para te escrever uma carta
Colocava hoje no correio
Recebias o meu devaneio
Amanhã ou na quarta

Parece que a electrónica
Passou a ser icónica
No mundo suposto real
Não vou seguir a moda
Nem entrar na roda
Só porque se tornou banal

Na loja lá no Paço
Vendem papel almaço
Vai ter mesmo de servir
Quero escrever à mão
O que sente o meu coração
Preciso de me exprimir

A caneta é banal
Nada de especial
Mas a letra é caprichada
Lê com todo o cuidado
É para ti meu amado
Esta missiva apaixonada.
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