A casa está
degradada, é centenária
Já conheceu gente
de muita faixa etária
O tempo não teve
isso em consideração
Só resta a fachada,
que outrora fora bela
Mas hoje em dia
ninguém quer saber dela
Vive o abandono
iludida na solidão
As silvas querem
apropriar-se do que resta
Insistem que é
delas o que já não presta
Acabarão por
esconder o resto do esqueleto
Os supostos
herdeiros de tão antiga moradia
Vivem
descaradamente numa responsabilidade fugidia
Assumem um modo de
vida a branco e preto
O inverno se vier
duro e intragável
A pobre fachada
ficará miserável
Será o fim de uma
história por narrar
Quem te conheceu no
passado imponente
Soube reconhecer
tão valioso presente
E está a velar-te
no céu de estrelas a brilhar

