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terça-feira, 29 de março de 2016

Conversa de Comadres

(imagem retirada da internet)

Ó comadre viu aquilo
Já nem sei o que dizer
Este povo anda maluco
Já não sabe o que fazer.

A vizinha lá de cima
Anda toda com segredos
Parece que o marido
A apanhou noutros enredos.

E a outra lá da esquina
Nem fala, nem reclama
O marido já se foi
Mas não tem vazia a cama.

Pois eu cá sou muito honesta
Não me meto em vida alheia
Só falo consigo o que sei
E ao marido na hora da ceia.

Eu também sou um exemplo
Mexericos não é comigo
Da minha porta p’ra fora
É-me tudo desconhecido.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Hoje sinto...


Hoje sinto frio
E um enorme vazio
Que não querem desaparecer
Nem o calor do fogão
Ou o barulho da televisão
Ajudam a resolver

Hoje sinto uma fome
Que me consome
E me deixa à toa
Nem o pão ou a fruta
Conseguem dar luta
E saciar uma pessoa

Hoje sinto sonolência
E uma dormência
Que me deixam moribundo
Hoje fiz greve à vida
Não espero contrapartida

Quero é sossego no meu mundo.

terça-feira, 22 de março de 2016

Desenhar o meu caminho


Quero desenhar o meu caminho
Mas faltam-me os lápis de cor
O desenho não se faz sozinho
E eu não tenho rasgos de pintor

Vou desenhar um caminho estreito
Rodeado de vegetação
Com pedrinhas de qualquer jeito
E flores da mais linda estação

Quando o conseguir desenhar
Vou coloca-lo numa moldura
Quero poder contemplar
A única saída desta agrura

O desenho do meu caminho
Vai transbordar de tranquilidade
Irá ser fácil de percorrer
E terá apenas a minha identidade.

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