As paredes estão a
cair aos pedaços
Mas os destroços
não causam embaraços
Só irão ficar
ruínas numa oca paisagem
As ervas daninhas
já devoram o resto
Aos poucos
introduzem um elemento funesto
Rapidamente
assumirá o estatuto de miragem
A chuva torrencial
alaga o caminho lamacento
Arrasta consigo
qualquer tipo de lamento
Escurece a pouca
luz que ainda ilumina a esperança
A humidade
entranha-se na densa escuridão
O caminho faz-se
com frio e cheiro a podridão
O fundo do túnel
parece não oferecer segurança
A velha ponte de
pedra desabou com a agonia
Quem não sabe nadar
fica em terra fria
Vendo fugir-lhe um
recomeço de serenidade
Ninguém volta para
buscar os estranhos
Resta-nos calcular
os gastos e os ganhos
E reconstruir com
perseverança uma nova cidade

