Penso que sofro de
amor por engano
Querem arrastar-me
para o lado mundano
A minha sanidade
está num, preocupante, limbo
Não me oiço
suspirar sem causa aparente
Dizem que amar é um
suspiro recorrente
Abomino ser
catalogada com o mesmo carimbo
Querem que ame,
louca e perdidamente
Fazem envergonhar-me
de ser descrente
De um amor,
supostamente, eterno
Vão tentar apanhar-me
só e desprevenida
Sei que vou lutar,
mas temo não ter saída
Finjo amar na
primavera, mas fugirei no inverno
Sou imune à
necessidade da adrenalina da paixão
A minha estrutura
conserva-se sem grande emoção
O dito amor nunca
me suscitou curiosidade
Posso viver com
paixões simples e banais
Sem suspiros,
palpitações e outros sinais
O amor com que
vivo, sofre de peculiaridade


