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sábado, 14 de março de 2020

A mercearia do Ti António

Imagem: Internet
Na rua mais antiga da minha localidade
Existe uma mercearia, já com muita idade
Ainda se fazem as pesagens à mão
E a balança tem o seu jeito de ladrão
O Ti António é o único merceeiro
Sempre bem-disposto e prazenteiro
Gosto da simplicidade do estabelecimento
Do cheiro a humanidade no atendimento
O pão é sempre fresco e estaladiço
E gosta de vir acompanhado de chouriço
Na mercearia não se conhece o calote
A fruta tira-se directamente do caixote
Vende-se a crédito, no livro anotado
Mas só a quem não deixa chegar a fiado
O sorriso do Ti António é o cartão de visita
Embrulha o bacalhau amarrado com uma fita
Ainda não aderiu às novas tecnologias
Só quando for obrigado a tais ideologias
Os miúdos deliram com tanto rebuçado
Bem acamadinhos num cartucho de papel acastanhado
Fecha a loja cedo, no horário de inverno
Mas às sete da manhã já faz contas no caderno
A mercearia do Ti António um dia vai fazer falta
Quando a, por agora fraca, mentalidade da malta
Reconhecer que um simples bom dia sorridente
Fazem valer até um aumento do preço corrente

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Brincadeiras de antigamente

Fonte: Google Images

Calças arregaçadas
Equipas marcadas
O jogo vai começar
A bola é de farrapos
Há que poupar nos trapos
Não são tempos de gastar

Os catraios sabiam brincar
Porque sabiam valorizar
O pouco que lhes era dado
O estômago que sempre roncava
A comida não abundava
Sabia a pouco o pão retardado

O tempo de brincadeira
Não durava a tarde inteira
Outros afazeres se levantavam
As árvores carregadas de fruta madura
Obrigavam a uma aventura
E eram poucos os que não as roubavam.
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