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| Imagem: Internet |
Na rua
mais antiga da minha localidade
Existe
uma mercearia, já com muita idade
Ainda se
fazem as pesagens à mão
E a
balança tem o seu jeito de ladrão
O Ti
António é o único merceeiro
Sempre
bem-disposto e prazenteiro
Gosto da
simplicidade do estabelecimento
Do cheiro
a humanidade no atendimento
O pão
é sempre fresco e estaladiço
E gosta
de vir acompanhado de chouriço
Na mercearia
não se conhece o calote
A fruta
tira-se directamente do caixote
Vende-se
a crédito, no livro anotado
Mas só
a quem não deixa chegar a fiado
O
sorriso do Ti António é o cartão de visita
Embrulha
o bacalhau amarrado com uma fita
Ainda não
aderiu às novas tecnologias
Só quando
for obrigado a tais ideologias
Os miúdos
deliram com tanto rebuçado
Bem
acamadinhos num cartucho de papel acastanhado
Fecha a
loja cedo, no horário de inverno
Mas às
sete da manhã já faz contas no caderno
A mercearia
do Ti António um dia vai fazer falta
Quando
a, por agora fraca, mentalidade da malta
Reconhecer
que um simples bom dia sorridente
Fazem valer
até um aumento do preço corrente

