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quinta-feira, 27 de julho de 2023

Confesso-Te meu Deus

 


Confesso-Te meu Deus que errei o trajecto

E por preguiça demorei-me mais do que devia

Confesso-Te meu Deus que nem sempre faço o correcto

Mas por vezes deixo-me vencer pela teimosia

 

Confesso-Te meu Deus que falei palavras erradas

Saíram de rompante num momento de fúria

Confesso-Te meu Deus que as minhas lágrimas são demasiadas

Sei que só a mim devo por passar tamanha lamúria

 

Confesso-Te meu Deus que perco a fé ocasionalmente

A minha fraqueza emocional leva o melhor de mim

Confesso-Te meu Deus que penso em não seguir em frente

Mas no final sei que só Tu decides quando será o fim


segunda-feira, 24 de julho de 2023

Oca paisagem

 


As paredes estão a cair aos pedaços

Mas os destroços não causam embaraços

Só irão ficar ruínas numa oca paisagem

As ervas daninhas já devoram o resto

Aos poucos introduzem um elemento funesto

Rapidamente assumirá o estatuto de miragem

 

A chuva torrencial alaga o caminho lamacento

Arrasta consigo qualquer tipo de lamento

Escurece a pouca luz que ainda ilumina a esperança

A humidade entranha-se na densa escuridão

O caminho faz-se com frio e cheiro a podridão

O fundo do túnel parece não oferecer segurança

 

A velha ponte de pedra desabou com a agonia

Quem não sabe nadar fica em terra fria

Vendo fugir-lhe um recomeço de serenidade

Ninguém volta para buscar os estranhos

Resta-nos calcular os gastos e os ganhos

E reconstruir com perseverança uma nova cidade


quinta-feira, 20 de julho de 2023

Pela Fé


Posso caminhar na noite ainda escura

Mas o breu não me tolda a visão

Quem pela fé sabe aquilo que procura

Nunca perde o motivo da sua direcção

 

Posso deixar o desânimo fazer uma visita

Mas não o deixo nem aquecer o lugar

Quem pela fé sabe aquilo em que acredita

Nunca perde a força do que a faz lutar

 

Posso ter a tristeza nos bolsos dos casacos

Mas nem sempre desaperto o botão

Quem pela fé sabe como colar os cacos

Nunca se deixa abater pela desilusão

 

Posso enxugar os olhos nem sempre molhados

Mas o arco-íris pode nascer da tempestade

Quem pela fé sabe o caminho dos iluminados

Nunca se deixa iludir pela inútil vaidade


 

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