Fiz-me ao mar, no
bote já envelhecido
Sou leiga a navegar,
mas o foco não está comprometido
Os remos são
pesados, as ondas dão-me luta
Os problemas já
estão elaborados, é certa a disputa
O céu leva-me, sem
questionar o trajecto
A coragem, aos
poucos, aguça-me a destreza
Revejo os planos do
ambicioso projecto
Sozinha em alto
mar, junto-me com a correnteza
A brisa marinha,
toca-me o rosto envergonhadamente
Nasce-me uma
rainha, que morre prematuramente
Sou um navegador,
em água bravia e salgada
Rasgo o mar com
clamor, lavando a alma magoada
As velas obedientes,
corajosas e altivas
São a companhia ideal
nesta viagem
Remando, as minhas
raízes estão mais vivas
Eu, o mar e o céu,
chegam de bagagem

