Hoje de manhã, o
amor fez a mala
Chamou um táxi e
esperou na sala
Permaneceu em
silêncio, sentado na cadeira
Uma mão no colo
outra na algibeira
A noite anterior
foi difícil e muito dura
Depois do que foi
dito, restou apenas a ruptura
Nenhum de nós quis
dar uma nova oportunidade
A lembrança dos
bons momentos passou da validade
Olhei-o mais uma
vez, encostada à porta
Não retribuiu o
olhar, já nada lhe importa
Ouviu-se um apito
vindo do exterior
O carro tinha
chegado para levar o amor
Pegou na mala e
saiu sem dizer adeus
Com o desapego dos
que se dizem ateus
Quando chegar ao
destino e abrir a mala
Vai ficar
surpreendido e até sem fala
Escrevi-lhe uma
carta, a despedida possível
Agradecendo o que
vivemos, que foi inesquecível


