A Madalena trata a
vida com bastante à vontade
Os anos que carrega
permitem-lhe tal liberdade
Desde catraia que
aprendeu a lição da costura
E até aos dias de
hoje tem sido a sua aventura
Entre tecidos e
agulhas, tudo feito à mão
O cuidado continua
o mesmo, vem do coração
Hoje com a moda
sempre em reboliço
O trabalho é pouco,
mas ainda paga o serviço
As vizinhas têm
sempre uma bainha para subir
Nem que seja
somente para deixar a conversa fluir
É carinhosamente
chamada de Lena costureira
Seja arranjo ou
novo, o trabalho é de primeira
Nos dias de sol,
trabalha de janela aberta
E é vê-la agarrada
aos tecidos, a vista sempre esperta
O marido
entretém-se no pequeno quintal nas traseiras
Diz que estar
parado é pior que calote nas feiras
A Lena há-de
costurar até ao último dia
Quem trabalha por
gosto, nunca perde a alegria


