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domingo, 1 de maio de 2022

Dia da Mãe ♥

 

(Google Images)


Mãe não pede, não exige, não reclama

Mãe só vive para aqueles que mais ama

Mãe não quer saber se o sol não vai brilhar

Mãe só descansa quando o seu filho pára de chorar

Mãe é quem dá sem pedir em troca

Mãe é quem se for preciso tira da sua boca

Mãe é aquela que nos enxuga as lágrimas quando teimam em cair

para o nosso rosto voltar a ver sorrir.

 ♥♥♥

 Com um sorriso rasgado

E uma lágrima a cair

Mãe é este ser delicado

Que não tem um só jeito de sentir

 

Com os braços sempre à espera

Do primeiro desgosto do seu rebento

Mãe é o único porto de abrigo

Para o seu filho que está em tormento

 

Com uma mão sempre em alerta

Para guiar no meio da escuridão

Mãe é quem abdica do filho

Para no seu lugar sofrer a desilusão

 

Mãe não se descreve em palavras

Por mais belas que sejam de escrever

Mãe são os gestos e os silêncios

Que se traduzem no amor que tem para oferecer.

 ♥♥♥

Carrega uma vida no ventre

Abdica de tudo o que tem

Tristeza admite que não sente

Quem a conhece, chama-a de Mãe

 

O dia nunca termina

Para a defensora do bem

Combater o mal é a sua sina

Na guerra usa o apelido de Mãe

 

Segura no colo com todo o carinho

O pequeno rebento que há-de ser alguém

Ajuda a traçar o caminho

Porque o melhor guia dá pelo nome de Mãe

 

Atravessa qualquer estrada

Em busca do filho que não tem ninguém

A luta trava-a desarmada

Porque sofrer é a vida de Mãe.

♥♥♥

É a terra para a semente

Que vai crescer protegida

É a água que mata a sede

Ao pequeno começo de vida

 

É a estrada que guia os passos

Num caminho que já foi o seu

É os sorrisos e os abraços

Mais as estrelas do céu


É cada lágrima que insiste em cair

Do rosto do seu rebento

É a força que parece fugir

Em cada difícil momento

 

É a mão que leva amparada

O fruto do seu amor

É quem protege da trovoada

E enche o coração de calor

 

É o nosso maior tesouro

É quem sempre nos vai querer bem

É a prata e o ouro

Com um nome tão simples, Mãe! 


quarta-feira, 27 de abril de 2022

Lugar do silêncio

 



A estrada ainda é de terra batida

Rodeada de eucaliptos e carqueja

A gente passa por lá despercebida

A calma continua a ser a preferida

É um sossego que nem todo o mundo deseja

 

As casas, escassas e desabitadas

Complementam o silêncio do lugar

As pessoas ali nascidas e criadas

Desertaram para as modernices desejadas

Abandonando o que tinha mesmo de ficar

 

Nos dias de calor, o pó percorre a estrada

Na chuva, a lama toma conta do sucedido

Podia ser chamado de terra encantada

Mas a vida armou-lhe uma cilada

O povo escolheu a cidade, iludido


segunda-feira, 11 de abril de 2022

Casa Centenária

 



A casa está degradada, é centenária

Já conheceu gente de muita faixa etária

O tempo não teve isso em consideração

Só resta a fachada, que outrora fora bela

Mas hoje em dia ninguém quer saber dela

Vive o abandono iludida na solidão

 

As silvas querem apropriar-se do que resta

Insistem que é delas o que já não presta

Acabarão por esconder o resto do esqueleto

Os supostos herdeiros de tão antiga moradia

Vivem descaradamente numa responsabilidade fugidia

Assumem um modo de vida a branco e preto

 

O inverno se vier duro e intragável

A pobre fachada ficará miserável

Será o fim de uma história por narrar

Quem te conheceu no passado imponente

Soube reconhecer tão valioso presente

E está a velar-te no céu de estrelas a brilhar


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