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terça-feira, 31 de outubro de 2023

Sem jurisdição

 


O vazio cobre a imensidão visível

Nada é desejável ou desprezível

O silêncio impera com alguma altivez

A solidão diz que adora este estado de surdez

O vento não tem limites nem jurisdição

Sopra descaradamente por nenhuma razão

Não há noite nem dia para amanhecer

A penumbra informou que vai para ali viver

O chão é pedregoso e desajeitado

Não há nenhum caminho demarcado

Nunca chove nem o sol faz questão de brilhar

Uma estância desabitada sem nada para dar

Ouvi dizer que a morte passa lá as férias

Para descansar de um mundo carregado de misérias




quarta-feira, 27 de abril de 2022

Lugar do silêncio

 



A estrada ainda é de terra batida

Rodeada de eucaliptos e carqueja

A gente passa por lá despercebida

A calma continua a ser a preferida

É um sossego que nem todo o mundo deseja

 

As casas, escassas e desabitadas

Complementam o silêncio do lugar

As pessoas ali nascidas e criadas

Desertaram para as modernices desejadas

Abandonando o que tinha mesmo de ficar

 

Nos dias de calor, o pó percorre a estrada

Na chuva, a lama toma conta do sucedido

Podia ser chamado de terra encantada

Mas a vida armou-lhe uma cilada

O povo escolheu a cidade, iludido


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Dias Sombrios

 


Farrapos de bom senso e boa vontade

Esvoaçam pelas ruas sombrias e desertas

Já ninguém procura saber a verdade

Não se veem portas nem janelas abertas

 

A esperança transformou-se em poeira

Que pousa agora nos telhados vazios

A ostentação abalroa e quer ser a primeira

Arrastando seguidores de sonhos sombrios

 

As flores têm receio de florir a céu aberto

Tristemente, acataram a tristeza que as rodeia

O silêncio impera como no deserto

A luz do dia é antiquada como uma candeia


quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Como as velas de um moinho


Sinto a maldade nas entranhas
E já não considero estranhas
As más atitudes que cometo
Luto contra esta enfermidade
A cobardia é menor que a ruindade
Mas hei-de vencer, eu prometo

Do silêncio tentei ser aliada
Mas não me valeu de nada
Continuo no, mesmo, mau caminho
A maldade apoderou-se de mim
Não consigo, nem sei, pôr-lhe um fim
Sinto-me à roda, como as velas de um moinho

sexta-feira, 19 de julho de 2019

O relógio na cozinha


Olho o relógio na parede da cozinha
Sinto que me diz algo em surdina
Apesar de saber que estou sozinha
Há uma presença que me causa adrenalina

Oiço o barulho dos ponteiros
Tudo o resto foi silenciado
Tornaram-se peritos alcoviteiros
Sempre com pressa em passar o recado

O relógio insiste na sua rapidez
E ocupa o meu tempo precioso
Peço-lhe só um pouco de sensatez
Preciso quebrar este ciclo vicioso

Por momentos o som é quase inaudível
Percebo que é agora o meu momento
Invento depressa uma mentira credível
E abandono o local sem consentimento

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Ninguém lutou


Os teus abraços não me sustentam
Tenho estilhaços que me atormentam
A tua chegada ao final de cada dia
Não me traz a tão aclamada, de nome alegria

Deitado a meu lado olhas o vazio
O silêncio é pesado, escuro e frio
O dia amanhece sem nenhuma meta
O amor adormece sem ambição concreta

Saímos de casa o caminho é diferente
O grito extravasa bem dentro da gente
Não sentimos saudade nem falta nenhuma
É a triste verdade a solidão acostuma

Chegou o momento de ser verdadeiro
Não deixar o tormento ser sempre o primeiro
Há dias assim em que o amor acabou
Inevitável o fim já que ninguém lutou

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

A Sós

Fonte: Google Images

No silêncio da noite escura
Os sonhos viram-se contra nós
É tão forte a amargura
É triste estarmos a sós

A noite demora a passar
A escuridão espreita lá fora
Não há meio de clarear
Preciso que a noite vá embora.







Feliz Ano Novo! 


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Casa vazia

Fonte: Google Images

Deixaste-me o silêncio
Numa casa vazia
Provaste ser um jumêncio
Com demasiada primazia

Nem o sol quer entrar
Nas poucas janelas da casa
Sozinha não consigo iluminar
E a escuridão só me desfasa

Vou fazer uma remodelação
Este lar precisa de um futuro
Sem ti aprendi uma lição
Sem carga salta-se melhor o muro.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

VAZIO E SOLIDÃO

(imagem retirada da internet)

Às vezes o vazio é enorme
Tudo consome
Sem olhar a meios
O silêncio faz-lhe companhia
A alma fica mais fria
E a vida aceita perder os freios

A penumbra impera
Nos dias de solidão
A presa cedeu à fera
A luz perdeu para a escuridão

Os ossos sentem o frio
Que gelam sem piedade
Volta de novo o vazio
Insiste em levar-me a sanidade

Apelo à coragem
Por mais uma viagem
Sem forças não consigo seguir
A fé começa a esvair-se
A esperança a partir-se
O pesadelo volta a assumir

Sou um pedaço de pedra
Ao pó irei regressar
Vou sobrevivendo como a hedra
Trepando para tentar escapar.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

NOITE

Noite tão fria e escura
De uma solidão abominável
Porque me fazes sentir insegura
E com um medo insaciável

Porque insistes em usar o preto
Se não te favorece em nada
Precisas de abrir horizontes
E deixar de ser antiquada

Tens por ama a silenciosa lua
Que nem sempre está no melhor lado
Apesar de saber que já não precisas
Tem sempre um especial cuidado

Peço-te ó noite infinita
Que não te demores cá fora
Era melhor voltares a casa
P’ra calar minha alma que chora.

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