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terça-feira, 17 de março de 2020

Noite de temporal


Esta noite choveu torrencialmente
Ficamos às escuras na noite escura
Os relâmpagos pareciam berros de gente
E a trovoada, como sempre, veio à pendura

Ninguém se atreveu a sair à rua
Nem sequer se abriu uma janela
Fiquei a pensar se não estaria a lua
Com ideias de que não gostavam dela

A manhã trouxe a calmaria
A chuva deu tréguas, desertou
Os estragos ainda ninguém conhecia
Por agora é conservar o que restou

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Como as velas de um moinho


Sinto a maldade nas entranhas
E já não considero estranhas
As más atitudes que cometo
Luto contra esta enfermidade
A cobardia é menor que a ruindade
Mas hei-de vencer, eu prometo

Do silêncio tentei ser aliada
Mas não me valeu de nada
Continuo no, mesmo, mau caminho
A maldade apoderou-se de mim
Não consigo, nem sei, pôr-lhe um fim
Sinto-me à roda, como as velas de um moinho

segunda-feira, 24 de junho de 2019

O chão é pedregoso


Não enxergo o caminho que piso
Sinto que vou acabar no abismo
Oiço ao longe choro e riso
Foi tudo destruído pelo vandalismo

O frio entranha-se até à alma
As mãos têm pouca sensibilidade
Na escuridão não se vê vivalma
Não parti totalmente e já sinto saudade

O chão é duro e pedregoso
Vou arrastando algo com meus passos
Se me deparar com alguém perigoso
Temo acabar em pedaços

Sigo o caminho quase moribunda
A coragem ameaçou que me vai abandonar
Estou quase a deixar-me ficar em terra funda
As conquistas nunca me deixaram ganhar

terça-feira, 17 de maio de 2016

Hoje vou


Hoje vou usar o vestido
Que estava escondido
No fundo do armário
Quero que me vejas bonita
Por isso vou usar a fita
Que me deste no aniversário

Hoje vou abusar do batom
Aumentar o volume do som
Quero fazer-me notar
Hoje não quero rodeios
Quero receber galanteios
E passar a noite a dançar

Hoje vou usar salto alto
Percorrer o asfalto
Sem nada a temer
Hoje vou soltar o cabelo
Causar dor de cotovelo
Hoje é dia de vencer.

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