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sexta-feira, 18 de março de 2022

Como um dia de julho

 


Amor de copo cheio

Saímos de tarde num passeio

És a luz do meu entardecer

O meu coração só por ti sabe bater

Amor de partilha e aconchego

Beleza rara de um deus grego

De mãos dadas causamos inquietação

Se nos beijamos incendiamos a multidão

Amor de carinho na medida certa

Dengoso e de lábia muito esperta

À janela olhamos o futuro distante

Juntos o caminho far-se-á sempre adiante

Toma, leva a minha alma neste embrulho

E mantém-na quente como um dia de julho

Amor, nossa palavra será sempre escassa

Se não juntarmos o toque à criação da massa


domingo, 21 de março de 2021

Tropeções no caminho

 


Nos tropeções com que a vida nos surpreende

O chão recebe-nos, mas não nos prende

Importa saber levantar de cabeça erguida

Sacudir a poeira e retomar as rédeas da vida

Tropeçar, pode acontecer a qualquer um

Cair não é vergonha, nem tira pedaço algum

Quem não caminha com humildade na algibeira

Mais tropeça e mais se suja de poeira

O caminho pode ser áspero e ventoso

É essencial conseguir evitar o invejoso

Se a chuva começar a cair sem pedir licença

Sorria e feche os olhos, agradecer faz diferença

Nas encruzilhadas de escolha difícil e duvidosa

Aliar a cabeça ao coração é uma arma poderosa

O fruto que será colhido, na meta tão desejada

Terá melhor sabor se tivermos aprendido com a estrada


sexta-feira, 19 de março de 2021

Dia do Pai

 


Pode o dia tardar a nascer
Pode o sol até nem brilhar
Que nada vai interromper
O melhor que o Pai tem para dar


Ter um Pai, é ter um abrigo
É ter sempre uma protecção
Um Pai é o soberano amigo
Que nos guia na melhor direção


Mais um ano de lutas e alegrias
Juntos, porque quem ama sente
Dia do Pai são todos os dias
Que sejas feliz diariamente


terça-feira, 16 de março de 2021

Será que sou Poeta

 


Será que sou poeta de alma doente

Instalado num cativeiro de palavras indecisas

Será que ser poeta é escrever o que se sente

Proclamar a céu aberto quando se mente

Deixando a bola entrar em todas as balizas

 

Será que sou poeta por escrever alinhado

Despejo os pensamentos em catapulta

A caneta fez-se o meu melhor aliado

As folhas deixam-se encher do meu palavreado

No fim o poema até parece que resulta

 

Será que sou poeta apenas por saber rimar

Porque iludo o mundo sobre a minha essência

Digo que sofro sem nem sequer clamar

Enxugo as lágrimas que nem vi derramar

Será que ser poeta é ser vizinho da demência

 

Será que sou poeta de versos sem noção

Ou nem perto caminho de ser poeta algum

A mente inquieta comanda a minha mão

Fora da minha janela tudo é inspiração

Poeta é ter os sentimentos e não querer nenhum


segunda-feira, 8 de março de 2021

Mulher ♥

 

Mulher é a força de vontade

É a luz da claridade

É o amor incondicional

Mulher é quem ensina os abraços

Quem decifra pelos traços

Mulher torna o comum especial

 

Mulher tem o sentido apurado

Por mais complicado

Que seja o problema

Mulher faz parte da solução

Sabe liderar a situação

Tem sempre o melhor esquema

 

Mulher é a beleza intemporal

Sem nunca ser banal

É o desabrochar da primavera

Mulher espera pacientemente

Aprendeu a ser benevolente

Mulher é a desejada quimera

 

Mulher é a Mãe enternecida

Que age sem medida

Na protecção dos seus rebentos

Mulher é a Esposa dedicada

É a companheira de jornada

Mulher são os melhores momentos

 

Mulher é sinónimo de confiança

É descendente da esperança

Mulher constrói-se na dificuldade

Ser Mulher é ser linda no exterior

Quando se sofre no interior

Mulher é pura autenticidade.


Mulher

É aquela que ao pegar o filho nos braços

Lhe sente os medos, os sonhos, os desabafos

Mulher

É aquela que enfrenta qualquer batalha

Sem questionar esforços, por pouco que valha

Mulher

É aquela que dá sem nada pedir

Por dentro a chorar, por fora a sorrir

Mulher

É aquela que ama sem qualquer barreira

E sem reclamar se dá por inteira

Mulher

É aquela que nos segura na mão

Quando é preciso guiar o nosso coração

Mulher

É luz, é brisa é saudade

Mulher

É silêncio, maresia é felicidade

Mulher

É tão-somente um ser divinal

Que tudo onde toca torna especial.


Sábia no jeito de amar

Mentora para quem não souber

Há quem a chame de amiga

Mas todos a conhecem por Mulher

 

Atravessa qualquer barreira por aqueles que ama

Dá a cara para o que der e vier

Há quem a chame de amor

Mas todos a conhecem por Mulher

 

Lar, abrigo, protecção

Esteja o seu filho onde estiver

Há quem a chame de mãe

Mas todos a conhecem por Mulher

 

Oferece um sorriso rasgado

A quem de bom grado o quiser

Dão-lhe o nome de simpatia

De sobrenome Mulher

 

Com o cabelo sobre o rosto

Reluzente como a prata do talher

A beleza encontrou assim a sua forma

Num corpo tão belo, como o teu Mulher!


quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Embrulho no Correio

 


Alguém tocou à campainha, insistentemente

O barulho trouxe-me de volta ao presente

A preguiça tomou conta do meu esqueleto

Sinto-me como um telefone fixo, obsoleto

Arrasto-me até à janela para ver quem toca

Será alguém a vender alguma engenhoca?

Para bem ou mal do meu, simples, pecado

Era o carteiro com um embrulho registado

Depois das formalidades da dita recepção

A curiosidade tomou conta da minha mão

Abri a correspondência com perfeita rapidez

E dei de caras com a gratuita malvadez

Embrulhado num papel, verde, reciclado

Vinha o meu futuro, com indicação de expirado

Não apreciei o gesto nem a indirecta

Sou pessoa de conhecer e, atingir a minha meta

No dia seguinte dirigi-me ao posto do correio

E devolvi o embrulho, desta vez mais cheio

Além de um bilhete com a devida reclamação

Juntei cópia das atitudes da minha determinação

Fiquem descansados que ao futuro irei chegar

Mesmo não sendo em primeiro, obterei um bom lugar


sábado, 23 de janeiro de 2021

Minha humilde habitação

 



Se vens de visita à minha humilde habitação

Não carece seres catita, esbanja somente educação

Recebo-te com o cuidado de quem só te quer bem

Cresci a ser educado e a dar valor a tudo o que se tem

 

Ao entrares pela porta do meu simples e precioso lar

O que vais dizer importa, por isso pensa antes de falar

Não desdenhes se for pouco o que te puder oferecer

Em cada um habita um louco, mortinho por aparecer

 

Se te sentares à minha mesa, acredita és da Família

Se a lareira estiver acesa, junta-te à nossa vigília

A casa pode ser modesta, sem luxos desnecessários

A virtude não se empresta, nem se aprende nos dicionários

 

Quando for hora de abalar, aceita o abraço verdadeiro

Já estiveste no meu lar, sei que és capaz e ordeiro

A porta será sempre aberta, se nela vieres bater

Na minha casa a ajuda é certa, nada pagas para receber


terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Senhor ainda é duro

 



Senhor todo poderoso, abraça o mundo inteiro

Faz-nos sentir que a esperança nos tem cercados

Senhor dá-nos os utensílios como a um carpinteiro

Ensina-nos a lutar e a manter-nos focados

 

Senhor, os teus descendentes desconheciam a gratidão

Tiverem de a aprender da maneira mais cruel

Senhor habilita o Teu povo a reconhecer o irmão

E torna-os merecedores como Emanuel

 

Senhor, o dia continua esgotante e duro

Não sei se seremos capazes de remar em sintonia

Senhor nas Tuas mãos descansa o nosso futuro

Obriga-nos a caminhar para lá da agonia

 

Senhor o teu povo não enxerga a saída

Navega, agora, à deriva da tempestade

Senhor só o Teu poder consegue evitar uma recaída

Ilumina os caminhos para a cura da enfermidade


quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Feliz Ano Novo

 


Mais uma página virada

Mais uma etapa terminada

No livro da nossa existência

Há novas metas a definir

Há novos sonhos a seguir

Na luta pela sobrevivência

 

Saber que se pode recomeçar

Trabalhando para conquistar

Um final que seja diferente

Um novo ano para reaprender

Para se deixar conhecer

Criando um mundo benevolente







segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Dias Sombrios

 


Farrapos de bom senso e boa vontade

Esvoaçam pelas ruas sombrias e desertas

Já ninguém procura saber a verdade

Não se veem portas nem janelas abertas

 

A esperança transformou-se em poeira

Que pousa agora nos telhados vazios

A ostentação abalroa e quer ser a primeira

Arrastando seguidores de sonhos sombrios

 

As flores têm receio de florir a céu aberto

Tristemente, acataram a tristeza que as rodeia

O silêncio impera como no deserto

A luz do dia é antiquada como uma candeia


segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Vingança ponderada

 


Ela ponderou bem a equação, não agiu de cabeça quente

Quem lhe brinca com o coração, pode esquecer que ela é gente

Foi meticulosa no seu plano, seguiu à risca cada detalhe

O seu método raspou o insano, é melhor que ninguém atrapalhe

 

A vingança foi ponderada, ela sabia como retribuir o egoísmo

Não seria a única magoada, aprendeu com ele sobre cinismo

Quem convida para a dança, é bom que aprenda os passos

A fisga quando se lança, retorna nem que seja em pedaços

 

Jogar amor sem nenhum trunfo, nem estratégia de jogo

É despachar logo o triunfo, querer chama sem ter fogo

Foi tarde quando se arrependeu, ela não voltaria atrás

Não apreciou o néctar quando bebeu, recebe mal quem mal faz


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Partir com meu Amor

 


Quando formos de passeio

Lembra-me de passar no correio

Preciso despachar correspondência

Para avisar com antecedência

Quem me quiser contactar

Vai ter muito que esperar

Vou partir com meu amor

Para um destino com calor

De braço dado e em sintonia

Seremos só nós e a alegria

Na algibeira levaremos rebuçados

P’ra juntar aos, já doces, apaixonados

O caminho será a dois, enternecidos

Amaremos em sofreguidão como bandidos

Quando, um dia, decidirmos regressar

Será para podermos enfim partilhar

Os enigmas de um amor poderoso

E se, como dizem, será também mentiroso


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Inaceitável um mundo egoísta

 


Inacreditável como o mundo se encheu de egoísmo

Encaminham propositada e vergonhosamente para o abismo

Aqueles que ainda acreditam no bem sem contrapartida

Inaceitável como fingem desconhecer a necessidade

Riem do fracasso e dos infortúnios da humanidade

Seres em constante, e triste, evolução invertida

 

Vive-se uma escassez de amor despretensioso

Criando-se desmesuradamente um ciclo vicioso

A sede de egoísmo espalha-se sem vigilância

O mundo corre perdido sem mapa de auxílio

Levando consigo egoístas sem domicílio

Que gritam ideais nascidos da ignorância


terça-feira, 20 de outubro de 2020

Amar como as verbenas

 



Amasse eu como quem respira adrenalina

E o mundo se curvaria à minha passagem

Amasse eu como o brilho nos olhos de uma menina

Seria minha a descoberta da perfeita viagem

 

Pudesse eu amar sem regras de etiqueta

Deixaria de lado as angústias quotidianas

Pudesse eu amar com a audácia de quem faz gazeta

E as minhas teorias deixariam de ser insanas

 

Soubesse eu amar, ignorando as mentes pequenas

Teria contribuído para o aumento da felicidade

Soubesse eu amar, resistente, como as verbenas

Seria primavera em todos os cantos da cidade

 

Amo a quem ama outro alguém

A que raio de amor me fiz seguidora

Amo a quem não sabe que lhe quero bem

E vivo ansiando o dia em que sairei vencedora


quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Esqueleto gelado

 



A manhã trouxe um frio avassalador

A geada cobre o chão que daqui a pouco vou pisar

Sinto frio, as mãos anseiam o calor

Faço um café quente, aconchego-me com o seu sabor

Procuro o primeiro raio de sol, ajuda-me a acordar

 

Ainda é cedo quando saio, a rua está quase deserta

Poucos foram os corajosos como eu

A brisa corre de mansinho, mas é esperta

Continua fria, com a porta sempre aberta

Quem chegar tarde nem sabe o que perdeu

 

No meu, monótono e rotineiro, regresso

Já não sou só eu que vagueio de esqueleto gelado

Há os que, exageraram e, usam roupa em excesso

E os que insistem e se debatem com o processo

Eu, simplesmente, levo o casaco mais apertado


sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Expurgar o mal a escrever

 


De lapiseira na mão, com a alma triste e despedaçada

Escrevo o que me atormenta o coração, a angústia tornou-se pesada

As mãos querem tremer, mas não as deixo serem cobardes

Vou expurgar o mal a escrever, nem que esgote todas as tardes

Escrita apressada como eu, indicar o culpado é o objectivo

Na verdade, foi ele quem perdeu, nunca foi tenaz nem afectivo

 

As linhas enchem-se de frases, duras, verdadeiras e doridas

Não descendeste dos audazes, só aprendeste a criar as feridas

São páginas de desabafo que, estranhamente, me reedificam

O dia ainda não está safo, porque as entranhas ainda me picam

Irei escrever noite dentro, as folhas irão transbordar de caligrafia

Amanhã noticiarão o epicentro e divulgarão a bibliografia



terça-feira, 22 de setembro de 2020

Outono (repost 2015)

 

Imagem: Internet

As folhas começam a cair

O seu tempo já terminou

É o outono que começa a fluir

É o frio a dizer que já chegou


As cores agora são outras

Entre laranjas e avermelhados

Os dias são mais pequenos

E os agasalhos mais pesados

 

As frutas estão em alta

E a variedade é muito maior

São um presente da natureza

Todo este sabor multicor

 

É uma estação de transição

Acompanhada de mudanças e nostalgia

É tempo de pensar em renovação

Outono é o silêncio da magia


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Nosso beijo apaixonado

 


Perdemo-nos num beijo apaixonado

O mundo aceitou ficar parado

Para contemplar a nossa união

Por momentos deixamos de existir

Não pensamos no que estava por vir

Só importava o começo da nossa paixão

 

Os transeuntes que por nós passavam

Fingiam que não se importavam

Com aquela demonstração de amor

Mas seus olhos não souberem esconder

Que desejavam e ansiavam também ter

Um beijo apaixonado e arrebatador

 

Foi só nosso aquele doce momento

Perdurará no nosso pensamento

Encheu-nos o coração de nova vida

De mãos dadas seguimos o caminho

Rodeados de olhares e burburinho

A meta será sempre por nós dividida


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