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terça-feira, 20 de outubro de 2020

Amar como as verbenas

 



Amasse eu como quem respira adrenalina

E o mundo se curvaria à minha passagem

Amasse eu como o brilho nos olhos de uma menina

Seria minha a descoberta da perfeita viagem

 

Pudesse eu amar sem regras de etiqueta

Deixaria de lado as angústias quotidianas

Pudesse eu amar com a audácia de quem faz gazeta

E as minhas teorias deixariam de ser insanas

 

Soubesse eu amar, ignorando as mentes pequenas

Teria contribuído para o aumento da felicidade

Soubesse eu amar, resistente, como as verbenas

Seria primavera em todos os cantos da cidade

 

Amo a quem ama outro alguém

A que raio de amor me fiz seguidora

Amo a quem não sabe que lhe quero bem

E vivo ansiando o dia em que sairei vencedora


sexta-feira, 19 de julho de 2019

O relógio na cozinha


Olho o relógio na parede da cozinha
Sinto que me diz algo em surdina
Apesar de saber que estou sozinha
Há uma presença que me causa adrenalina

Oiço o barulho dos ponteiros
Tudo o resto foi silenciado
Tornaram-se peritos alcoviteiros
Sempre com pressa em passar o recado

O relógio insiste na sua rapidez
E ocupa o meu tempo precioso
Peço-lhe só um pouco de sensatez
Preciso quebrar este ciclo vicioso

Por momentos o som é quase inaudível
Percebo que é agora o meu momento
Invento depressa uma mentira credível
E abandono o local sem consentimento

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