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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Uma Década (Pai)

 


Diz que passou uma década desde que nos deixaste

Que o tempo continuou a passar com o seu desgaste

E nós a pensar como continuaríamos sem a tua presença

Parece impossível esta lonjura isenta do teu sorriso

Sempre soubeste que faríamos o que fosse preciso

Afinal estamos no mundo para fazer alguma diferença

 

Seguimos adiante considerando os teus passos

Nunca fomos da ociosidade nem de baixar os braços

De ti herdámos a vontade de fazer sem depender de terceiros

Diz que passou uma década desde a última vez que nos vimos

Mas eles não sabem que há noites em que ainda te ouvimos

E nos dizes que há tempestades que não passam de aguaceiros







quarta-feira, 28 de outubro de 2020

O Tempo tinha Tempo

 


Tenho saudades de um tempo que não era apressado

Que sentava, esperava e passava um bom bocado

Sem se atrever a reclamar pela boa lentidão

Tenho saudades das horas mais vagarosas

A pressa gostava de parar para apreciar as rosas

O tempo tinha tempo e ainda sobrava tostão

 

Tenho saudades de quando o telefone estava preso

Aquele simples fio, manteve o nosso cérebro ileso

Eramos mais felizes não sendo dependentes

Tenho saudades das ruas repletas de miúdos

Com brincadeiras ensinadas pelos graúdos

O tempo tinha tempo e peças sobresselentes

 

Tenho saudades dos domingos de páscoa no jardim

Dos vizinhos que conviviam na rua, porque era assim

Da confraternização sem um ecrã incluído

Tenho saudades dos sujos trabalhos manuais

De escrever palavra a palavra os nossos ideais

O tempo tinha tempo e não era tempo perdido


terça-feira, 30 de julho de 2019

A minha Infância


O dia despontou ensolarado
Eu tinha que resolver um recado
Aproveitei e saí ainda bem cedo
A caminhada, assim com raios de sol
Torna-se mais calma, tipo caracol
Há que apreciar o lindo arvoredo

Ia a meio do meu destino
Quando um barulho repentino
Me faz parar um pouco assustada
Sinto um cheiro bom, não conheço
Mas que me faz sentir apreço
E oiço uma voz meiga e delicada

Olho em redor sem sucesso
Nada vejo, será que regresso?
Tenho receio de estar a delirar
Então a voz fala novamente
Pede desculpa pelo inconveniente
Mas tinha urgência em me falar

Perguntei quem era, o que queria
Tenho pressa, é uma correria
Preciso de cumprir com minhas obrigações
A sua voz, pareceu-me conhecida
Disse-me que já fez parte da minha vida
Numa altura em que não tinha medo dos arranhões

Continuei sem perceber com quem falava
Porque cheirava bem o perfume que exalava
E a voz insistia na sua importância
Disse sentir saudades do nosso passado
Desejou que concluísse com sucesso o meu recado
Que nunca me esqueceu, a minha infância

segunda-feira, 24 de junho de 2019

O chão é pedregoso


Não enxergo o caminho que piso
Sinto que vou acabar no abismo
Oiço ao longe choro e riso
Foi tudo destruído pelo vandalismo

O frio entranha-se até à alma
As mãos têm pouca sensibilidade
Na escuridão não se vê vivalma
Não parti totalmente e já sinto saudade

O chão é duro e pedregoso
Vou arrastando algo com meus passos
Se me deparar com alguém perigoso
Temo acabar em pedaços

Sigo o caminho quase moribunda
A coragem ameaçou que me vai abandonar
Estou quase a deixar-me ficar em terra funda
As conquistas nunca me deixaram ganhar

sexta-feira, 18 de março de 2016

Dia do Pai


Hoje já não estás presente
E já não se sente
O calor do teu sorriso
Hoje ainda dói a saudade
Ainda dói a dura verdade
De não estares onde és preciso

Foste um Pai protector
Com a medida certa de amor
Um Pai sempre presente
Soubeste ensinar os teus rebentos
Para os bons e maus momentos
Porque a vida é sempre diferente

Continua vazio o lugar
Que ocupavas no nosso lar
E tão cedo foi abandonado
Pai, continuas a olhar por nós
Nunca estamos realmente sós
Ainda nada está acabado

Obrigada por tudo que fizeste
Por tudo que nos deste
Por nos criares pela verdade
O amor é sempre igual
Perto, longe ou celestial
Amor de Pai não tem validade.

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