AVISO

É expressamente proibida a cópia ou reprodução em parte ou na totalidade do conteúdo deste blog, sem prévia autorização, estando reservados os direitos de Autor.

Mostrar mensagens com a etiqueta SOLIDÃO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta SOLIDÃO. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Primeiro Andar


Abri a janela do esconderijo onde vivo

Necessito enxergar o que me aprisiona

Sei que apenas de tristeza sobrevivo

Faço um enorme esforço para me manter à tona

 

Vejo passar os sorrisos que me abandonaram

Dizem que me tornei vítima da minha agonia

Juro que lutei contra o que me armaram

Mas a escuridão apoderou-se de toda a alegria

 

Neste primeiro andar de ecos ensurdecedores

A solidão ocupou toda a velha, e pouca, mobília

Os meus pés arrastam-se como perdedores

Passo as noites em constante e assustadora vigília

 

Oiço a passar na rua a resiliência que, tristemente, perdi

Voltam as saudades dos sonhos livres e ambiciosos

Sou um monte de inutilidade que se vai deixar morrer aqui

Com medo de voltar a entrar no jogo dos corajosos

 

Já ninguém bate à porta ou pede para entrar

Acredito que o vazio da alma se propagou na comunidade

Anseio pela libertação do que me faz assim definhar

Espero passar algum dia pela rua da felicidade


 

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Rosto Molhado

 


Cansei de mendigar por um amor ausente

Não faz sentido amar, sem mais ninguém presente

Cansei do rosto molhado, pelas lágrimas indesejadas

Um coração que não é amado, desiste das metas traçadas

 

Deixaste-me conhecer a solidão, quando era suposto sermos um só

Nunca ateaste o fogo da paixão, nem ao amor limpaste o pó

Deixaste-me conhecer a amargura, acabaste com um futuro promissor

A raiva nem sempre dura, mas por ti não volto a sentir amor

 

O travesseiro ao meu lado está vazio, nem o teu cheiro ficou

Sempre escolheste a beira rio, porque o mar nunca de ti gostou

O meu coração ainda estranha, o espaço livre que chegou a ser teu

Que sejas feliz com a tua manha, já que comigo nunca aconteceu


quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Tens o coração vazio

 


Ouvi dizer que sentes o teu peito frio

Porque deixaste o teu coração ficar vazio

Dizem que não te incomoda esta tua opção

Que desististe de amar e de procurar a paixão

Ouvi dizer que os teus sentimentos têm validade

Nunca os guardas nem sentes necessidade

Dizem que o teu sorriso é escasso e fugaz

Dificilmente o ar carrancudo te trará alguma paz

Ouvi dizer que esvaziaste a alma com confiança

Nem quiseste fazer uma cópia de segurança

Tenho dó da tua nova, e estranha, envergadura

Estás a transformar-te numa triste e solitária criatura

Dizem que este teu viver nunca vai dar frutos

Se a morte contigo se cruzar, vai ser como os putos

É sempre hora e lugar para uma brincadeira

Quando a vontade de jogar vem estampada na bandeira


quarta-feira, 11 de março de 2020

O Senhor Américo da casa pequena


O senhor Américo que mora na casa pequena
Já chegou aos “entas” de uma vida plena
Acorda cedo para ir comprar o pão
Vive de uma reforma de pouco tostão
A sua esposa há muito que partiu
Os filhos assumem que ninguém os pariu
Depois de enviuvar adoptou um canito
Um rafeiro castanho, minorca e bonito
Lá passam os dois, sempre lado a lado
A fidelidade é um bem a ser preservado
Conversa com o rafeiro, de nome Bobby
É o fiel amigo que está sempre ali
Quando à tarde o sol bate na soleira da porta
É ver os dois sentados, nada mais importa
Nos, poucos, vizinhos encontra amparo
A velhice é tramada e custa caro
Tem sempre um sorriso e uma saudação
Por muito que lhe custe levantar a mão
O Senhor Américo da casa pequena
Do muito que viu, já nada condena
Ainda tem saudades da vida de casado
A sua Clarice fazia-lhe um bem danado
Agora espera, com paciência a sobrar
O dia em que este mundo vai deixar
Só pediu aos vizinhos o grande favor
De cuidarem do seu Bobby com amor

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Autor de Estante


Como um fósforo que arde depressa
Assim se resume o meu dia
Por muito que esteja cheia a travessa
A minha alma continua sempre vazia

A tinta da caneta está a chegar ao fim
E ainda não escrevi tudo sobre mim
As folhas do caderno parecem intermináveis
E as ideias decidiram tornar-se dispensáveis

A música que está a tocar na rádio
Lembra-me palavras de um sábio
Deixo a melodia ganhar terreno
E o meu cubículo tornou-se mais sereno

A lua está de quarto minguante
Parece que de tudo me afasto
Um dia chegarei a autor de estante
E o meu livro, de tanto ser lido, ficará gasto

quarta-feira, 10 de julho de 2019

A Paciência


Numa tarde de calmaria
Com uma brisa aconchegante
Encontrei a paciência junto à ria
Pensativa sem nenhum acompanhante

Cheguei-me à sua beira
E cumprimentei-a com educação
Queria encontrar maneira
De perguntar se conhece a solidão

Meio encabulada, lá consegui perguntar
E ela sorridente me respondeu
A solidão é o único lugar
Onde se encontra o que se perdeu

Gabei-lhe a sensatez e a maturidade
Ter paciência não é para qualquer um
Disse-me que muitas vezes a felicidade
Nasce de quando se evita o zunzum

Despedi-me e agradeci a sabedoria
Espero encontra-la regularmente
A paciência sabe que a alegria
Não é um dom para toda a gente

domingo, 30 de junho de 2019

À espera do autocarro


Na correria dos dias arrastados
Vejo cada vez mais pesados
Os olhos daqueles com quem me cruzo
Nos bancos do, quase vazio, jardim
Não oiço nem vejo nenhum frenesim
Apenas solitários de rosto confuso

À espera do, já apinhado, autocarro
Lembram-me figuras de barro
Aqueles que mal se conseguem mexer
Os olhares tristes e indecifráveis
Projectam os sonhos vulneráveis
Que cobardemente deixaram morrer

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A Solidão é uma Pobreza


A solidão é uma pobreza
E a sua tamanha grandeza
Ultrapassa um nível vergonhoso
Apesar de fácil resolução
Há quem não ajude o seu irmão
Porque já nem sabe ser afectuoso

Os pobres do abandono
Pobres sem rei nem trono
Vivem de escassa esmola
Pobreza de vida cruel
Onde a companhia sabe a fel
Solidão do vazio na gaiola

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Fundo de Maneio


A mágoa da tua ausência
Causa-me calafrios
Este espaço sem essência
Torna meus dias doentios

A razão saiu em condicional
Não se habitua à escassa liberdade
O antigo espaço prisional
Toldou-lhe a racionalidade

Quebraste qualquer interacção
Foste seguir o teu devaneio
Ainda cavo inutilmente no chão
À procura de um fundo de maneio.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Não me levanto


No pensamento mais duro
Eu sempre procuro
Uma fuga para a solidão
Na amargura do vazio
Eu tremo mesmo sem frio
E choro em convulsão

Já não conheço a estrada
Perdi o fio à meada
Sigo a favor da ventania
Se cair não me levanto
Tamanho é o meu pranto
Não me contento com a mediania.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

A Sós

Fonte: Google Images

No silêncio da noite escura
Os sonhos viram-se contra nós
É tão forte a amargura
É triste estarmos a sós

A noite demora a passar
A escuridão espreita lá fora
Não há meio de clarear
Preciso que a noite vá embora.







Feliz Ano Novo! 


sábado, 29 de dezembro de 2018

Tu não chegaste

Fonte: Google Images

Esperei sem hora marcada
Pela tua chegada
A saudade era descomunal

Os carros passavam apressados
Nem se desviavam dos lados
Onde eu estava por sinal

A tarde chegou ao fim
E eu com pena de mim
Obriguei-me a ir embora

Tu não ias chegar
Nem te dignaste a avisar
Aqui o teu amor já não mora.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

De Madrugada

Fonte: Google Images

Cinco da madrugada
Da janela olho a estrada
O silêncio está ao serviço
O vento apareceu em reboliço
Não se vê vivalma
Há algo que me acalma
E traz alguma tranquilidade
Sinto um descanso na alma
E um rasgo de felicidade

É gostoso assim amanhecer
Com a solidão de braço dado
E deixar-se ficar acordado
Para ver o dia nascer.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Casa vazia

Fonte: Google Images

Deixaste-me o silêncio
Numa casa vazia
Provaste ser um jumêncio
Com demasiada primazia

Nem o sol quer entrar
Nas poucas janelas da casa
Sozinha não consigo iluminar
E a escuridão só me desfasa

Vou fazer uma remodelação
Este lar precisa de um futuro
Sem ti aprendi uma lição
Sem carga salta-se melhor o muro.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Tristeza enclausurada

Fonte: Google Images

A casa é toda vistosa
Toda maria vaidosa
Joga-se a futilidade

Os carros na entrada
Cada bomba de granada
Mas não encontro a felicidade

As paredes impermeáveis
De construções inigualáveis
Nunca deixam transparecer

A tristeza enclausurada
Na mansão angustiada
Só na riqueza sabe viver.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Deus nos livre e guarde

Fonte: Google Images

Deus nos livre e guarde
Dos caminhos sinuosos
Que Deus nos salvaguarde
Dos desvios perigosos

Deus nos livre e guarde
De quem ri da dificuldade
Que Deus nos salvaguarde
Das noites de tempestade

Deus nos livre e guarde
Da angústia da solidão
Que Deus nos salvaguarde
De quem cultiva a ingratidão.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Um Pequeno Jardim

Fonte: Google Images

Num pequeno jardim escondido
Ao fundo de um quintal abandonado
Ainda cresce um cravo colorido
Com um cheirinho a adocicado

Já quase engolidos pela terra
Estão cacos de um suposto cogumelo
Outrora devia ter estado na berra
Agora está feio o antes belo

As ervas para lá de daninhas
Viraram inquilinos sem renda
São óptimas como vizinhas
Não têm quem as repreenda

Aquele cantinho em extinção
Degradado pelo abandono
Merecia ter tido outra opção
Sem escolha ficou com o outono.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Mereço a solidão

Fonte: Google Images

Mereço os dias cinzentos
Porque não espalho felicidade
Mereço todos os meus tormentos
Porque insisto em cultivar a maldade

Mereço a angústia e a insatisfação
Porque não provoco alegria
Mereço sentir a solidão
Porque me deixo ter a alma fria.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Ninguém me viu

Fonte imagem: internet

O deserto que atravessei
Ninguém me viu passar
As lágrimas que derramei
Ninguém me viu chorar

Os muros que me cercam
Ninguém me viu construir
As garras que me dilaceram
Ninguém as vê a me ferir

A culpa que me pesa
Ninguém me vê a carregar
A penitência em cada reza
Ninguém me ouve a orar.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Não oiço mais nada

Imagem retirada da internet

Arrasto o meu corpo
Que se faz de morto
Até à beira da estrada
Já não sinto frio
Não sei se é vazio
Mas não oiço mais nada

Deixo-me ficar quieta
Esta dor que me espeta
Quer arrancar-me a vida
Pode ser que passe alguém
Que não me olhe com desdém
E perceba que não estou de partida.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...