O Hilário
sapateiro, apesar da idade, ainda conserta sapatos
Sentado à soleira
da porta com os óculos quase a cair
Homem honesto,
recatado, nunca conheceu desacatos
Foi em catraio que
o tio lhe ensinou a arte que decidiu seguir
Os, poucos, mas
fiéis clientes do sapateiro
Além do serviço
procuram também conversar
Gostam de estar
juntos a ver passar o carteiro
Na companhia do
Hilário com cheiro de graxa no ar
As botas de
trabalho são o que mais conserta
Era capaz de o
fazer até de olhos vendados
A sua porta às oito
da manhã já está aberta
Mas o pobre Hilário
não se livra dos fiados
Faz tamancos
artesanais de excelente qualidade
Que a neta decidiu
divulgar pela famosa internet
Diz que faz enorme
sucesso na gente da cidade
Até já teve uma
encomenda para fazer uns sete
O Hilário sapateiro
mora ao lado da sua oficina
Desde que casou com
a sua Elvira há cinquenta anos
O calçado será
sempre o ouro da sua mina
Deseja que o futuro
seja brando e não cause muitos danos





