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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Hilário Sapateiro

 


O Hilário sapateiro, apesar da idade, ainda conserta sapatos

Sentado à soleira da porta com os óculos quase a cair

Homem honesto, recatado, nunca conheceu desacatos

Foi em catraio que o tio lhe ensinou a arte que decidiu seguir

 

Os, poucos, mas fiéis clientes do sapateiro

Além do serviço procuram também conversar

Gostam de estar juntos a ver passar o carteiro

Na companhia do Hilário com cheiro de graxa no ar

 

As botas de trabalho são o que mais conserta

Era capaz de o fazer até de olhos vendados

A sua porta às oito da manhã já está aberta

Mas o pobre Hilário não se livra dos fiados

 

Faz tamancos artesanais de excelente qualidade

Que a neta decidiu divulgar pela famosa internet

Diz que faz enorme sucesso na gente da cidade

Até já teve uma encomenda para fazer uns sete

 

O Hilário sapateiro mora ao lado da sua oficina

Desde que casou com a sua Elvira há cinquenta anos

O calçado será sempre o ouro da sua mina

Deseja que o futuro seja brando e não cause muitos danos


sexta-feira, 26 de junho de 2020

Sentada nos degraus (Ermelinda)

Nos degraus de pedra, da casa pequena

Sentada com um cesto no regaço, serena

Está a Ermelinda, que já vai nos oitenta

Sempre activa, mas tal idade não aparenta

Hoje remenda as meias, repletas de buraquitos

Diz que dão muito jeito para fazer manguitos

O marido, uma tristeza, está agora acamado

Foi do trabalho duro, sem folga, nem feriado

P’ra quem lhe passa à porta, tem sempre um sorriso

Ainda trata da casa, vai fazendo o que é preciso

A filha, casou, e foi morar na cidade

Vem, volta e meia, ajudar nalguma dificuldade

Os vizinhos, amigos de toda uma vida

Acodem-lhe quando se sente mais perdida

Apesar da vista já fraca, gosta de bordar

Ninguém a ensinou, aprendeu sozinha a praticar

Nada falta ao marido, por muito que já lhe custe

O trabalho não é nada que a assuste

Apesar da volta que a vida tomou

Não reclama e nunca esquece o que passou

Conta ao marido as, poucas, novidades que sabe

Os anos ensinaram-lhe que o bem sempre cabe


quarta-feira, 11 de março de 2020

O Senhor Américo da casa pequena


O senhor Américo que mora na casa pequena
Já chegou aos “entas” de uma vida plena
Acorda cedo para ir comprar o pão
Vive de uma reforma de pouco tostão
A sua esposa há muito que partiu
Os filhos assumem que ninguém os pariu
Depois de enviuvar adoptou um canito
Um rafeiro castanho, minorca e bonito
Lá passam os dois, sempre lado a lado
A fidelidade é um bem a ser preservado
Conversa com o rafeiro, de nome Bobby
É o fiel amigo que está sempre ali
Quando à tarde o sol bate na soleira da porta
É ver os dois sentados, nada mais importa
Nos, poucos, vizinhos encontra amparo
A velhice é tramada e custa caro
Tem sempre um sorriso e uma saudação
Por muito que lhe custe levantar a mão
O Senhor Américo da casa pequena
Do muito que viu, já nada condena
Ainda tem saudades da vida de casado
A sua Clarice fazia-lhe um bem danado
Agora espera, com paciência a sobrar
O dia em que este mundo vai deixar
Só pediu aos vizinhos o grande favor
De cuidarem do seu Bobby com amor

domingo, 19 de novembro de 2017

A Velhice à varanda

Imagem: internet

Sentada numa cadeira de baloiço
A apanhar sol na varanda
Quando passo sempre a oiço
A divagar na mesma propaganda

Os dias já não os conta
Diz que é tempo perdido
A noite já não amedronta
Agora é esperar o merecido

Diz-me que o silêncio a visita
Apesar de não ser convidado
Então faz de mau da fita
E não responde ao perguntado

Assim passa os dias a velhice
Diz que já se habituou à solidão
O que lhe fizeram foi canalhice
Mal eles sabem que por lá passarão.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Outono da Vida

Imagem: internet

O rosto já cansado pela vida
As mãos calejadas do trabalho
A idade que já vai comprida
O cabelo já tingido de grisalho

O tempo que não rebobina
Porque o passado já expirou
A falta que faz a adrenalina
Que sem avisar abalou

As pernas que não obedecem
A quem sempre as ordenou
É velhice do que padecem
Não tem para andar quem já andou

Ninguém fica para semente
Os anos têm data de validade
Agora já nada é urgente
Não é nossa a eternidade.

                                                                  

segunda-feira, 25 de março de 2013

Idosos (Outono da vida)

(imagem retirada da internet)


Chegaram ao inverno da vida
Onde o Sol tem um calor diferente
É altura de saborear melhor os dias
E deixar os sonhos serem o vosso presente.

O tempo traz sabedoria
Deixando para trás as dificuldades
As rugas também nascem da alegria
Como o arco-íris nasce das tempestades.

A idade é um posto
Que permite certas regalias
Quem melhor para dar conselhos
Que aquele que faz dos anos mais-valias

Autoria: Isabel Maria T.Mendes (Isamar)
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