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quarta-feira, 23 de junho de 2021

O que queremos ver

 


Encontrei pedaços de papel rasgado

Não percebi a caligrafia, estava rasurado

Pensei juntar todos os pedacinhos

Mas não se tapavam todos os buraquinhos

Seriam palavras de um amor de novela,

Ou frases tristes da partida num barco á vela?

Apesar da curiosidade em estado de alerta

Joguei tudo no lixo, decisão esperta

Induzi a minha mente a esquecer o papel

E desenhei uma bonita paisagem a pincel

Só vemos o que realmente queremos ver

E só percebemos o que queremos entender

O bom da vida é o privilégio da decisão

Aliar uma mente sã a um puro coração


quinta-feira, 17 de junho de 2021

Leve como a farinha

 


Vou partir sem destino e sem preparação

Seguirei pelo caminho que me causar maior emoção

Não estabeleci metas nem espero alcançar conquistas

Quero apenas caminhar sem datas previstas

 

As pausas que fizer para recarregar baterias

Serão as que quiser e sem tempo contado

Se os dias forem quentes e as noites frias

Seguirei no escuro debaixo do céu estrelado

 

Vou partir sem bagagem e sem inutilidades

Para atraso de vida já me bastam as falsidades

Quando souber que cheguei ao fim da linha

Viverei mais calma e leve como a farinha 


quarta-feira, 11 de março de 2020

O Senhor Américo da casa pequena


O senhor Américo que mora na casa pequena
Já chegou aos “entas” de uma vida plena
Acorda cedo para ir comprar o pão
Vive de uma reforma de pouco tostão
A sua esposa há muito que partiu
Os filhos assumem que ninguém os pariu
Depois de enviuvar adoptou um canito
Um rafeiro castanho, minorca e bonito
Lá passam os dois, sempre lado a lado
A fidelidade é um bem a ser preservado
Conversa com o rafeiro, de nome Bobby
É o fiel amigo que está sempre ali
Quando à tarde o sol bate na soleira da porta
É ver os dois sentados, nada mais importa
Nos, poucos, vizinhos encontra amparo
A velhice é tramada e custa caro
Tem sempre um sorriso e uma saudação
Por muito que lhe custe levantar a mão
O Senhor Américo da casa pequena
Do muito que viu, já nada condena
Ainda tem saudades da vida de casado
A sua Clarice fazia-lhe um bem danado
Agora espera, com paciência a sobrar
O dia em que este mundo vai deixar
Só pediu aos vizinhos o grande favor
De cuidarem do seu Bobby com amor

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