Abri a janela do
esconderijo onde vivo
Necessito enxergar
o que me aprisiona
Sei que apenas de
tristeza sobrevivo
Faço um enorme
esforço para me manter à tona
Vejo passar os
sorrisos que me abandonaram
Dizem que me tornei
vítima da minha agonia
Juro que lutei
contra o que me armaram
Mas a escuridão apoderou-se
de toda a alegria
Neste primeiro
andar de ecos ensurdecedores
A solidão ocupou
toda a velha, e pouca, mobília
Os meus pés
arrastam-se como perdedores
Passo as noites em constante
e assustadora vigília
Oiço a passar na
rua a resiliência que, tristemente, perdi
Voltam as saudades
dos sonhos livres e ambiciosos
Sou um monte de
inutilidade que se vai deixar morrer aqui
Com medo de voltar
a entrar no jogo dos corajosos
Já ninguém bate à
porta ou pede para entrar
Acredito que o
vazio da alma se propagou na comunidade
Anseio pela
libertação do que me faz assim definhar
Espero passar algum
dia pela rua da felicidade
