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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Primeiro Andar


Abri a janela do esconderijo onde vivo

Necessito enxergar o que me aprisiona

Sei que apenas de tristeza sobrevivo

Faço um enorme esforço para me manter à tona

 

Vejo passar os sorrisos que me abandonaram

Dizem que me tornei vítima da minha agonia

Juro que lutei contra o que me armaram

Mas a escuridão apoderou-se de toda a alegria

 

Neste primeiro andar de ecos ensurdecedores

A solidão ocupou toda a velha, e pouca, mobília

Os meus pés arrastam-se como perdedores

Passo as noites em constante e assustadora vigília

 

Oiço a passar na rua a resiliência que, tristemente, perdi

Voltam as saudades dos sonhos livres e ambiciosos

Sou um monte de inutilidade que se vai deixar morrer aqui

Com medo de voltar a entrar no jogo dos corajosos

 

Já ninguém bate à porta ou pede para entrar

Acredito que o vazio da alma se propagou na comunidade

Anseio pela libertação do que me faz assim definhar

Espero passar algum dia pela rua da felicidade


 

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