Fui à pesca num rio
perdido na vegetação
Ansiando um dia de
pesca muito proveitoso
Sentada no banquinho
de madeira e cana na mão
Esperei com a
devida paciência o primeiro tostão
Mas nada mordia nem
de bom nem de maldoso
Olhei o balde ainda
vazio, também à espera
Senti o seu total
estado de desapontamento
Estando o rio
isolado, onde a natureza impera
Sem nada a
comprometer a atmosfera
Pensei que
pescasse, pelo menos, o agradecimento
A meio da manhã
algo mordeu o isco abanando a cana
Era forte, tamanha
a força que fiz para puxar
Quando saiu trazia
um ar de zangada e sacana
Ainda tentou disfarçar,
mas a mim não engana
Tramada da
ingratidão foi a primeira a trincar
Quase de seguida
mordeu a inveja, a mostrar os dentes
Execrável como é e,
infelizmente, sempre será
Joguei-a no balde com
a outra das suas parentes
Criaturas
desprezíveis repletas de más sementes
Que mais de nefasto
e intragável neste rio haverá?
Quando saiu o
egoísmo armado em vedeta
Juntei as trouxas e
preparei-me para a retirada
O conteúdo do balde
despejei na mais porca valeta
Era melhor parar
antes que mordesse o capeta
A pesca hoje em dia
transborda de pura brejeirada




