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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Inútil Papelada

 


Procuro avidamente nas minhas anotações

Recordo-me que já te escrevi angustiada

As palavras que leio não passam de sermões

Necessito reorganizar esta inútil papelada

 

Lembro-me que já tinha anoitecido

A penumbra e o frio estavam de soslaio

Escrevi-te como quem procura algo perdido

Acompanhada pela vivacidade de um catraio

 

Era madrugada quando cessei a escrita

E, juro, guardei nesta gaveta onde procuro

Acredito que o universo por vezes me irrita

Para saber o quanto o meu temperamento é duro

 

Se me lembrasse do que escrevi na missiva

Iria dizer-to até o fôlego me abandonar

Sei apenas que eram frases inofensivas

Escritas para quem, gratuitamente, me quis magoar


quinta-feira, 18 de abril de 2019

Fundo de Maneio


A mágoa da tua ausência
Causa-me calafrios
Este espaço sem essência
Torna meus dias doentios

A razão saiu em condicional
Não se habitua à escassa liberdade
O antigo espaço prisional
Toldou-lhe a racionalidade

Quebraste qualquer interacção
Foste seguir o teu devaneio
Ainda cavo inutilmente no chão
À procura de um fundo de maneio.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

CHUVA

(imagem retirada da internet)

A chuva ofereceu-se para pernoitar
Sem ninguém autorizar
E até fez a própria cama
Passou a noite a bater na janela
Iluminada com a luz da vela
E a sujar o chão com lama

As suas gotas eram frias e grossas
E ao cair nas poças
Perdiam-se no meio da água
Não quis nenhuma companhia
Nem mala ela trazia
Apenas se acompanhava da mágoa

E choveu até de madrugada
Deixando uma manhã gelada
E um silêncio perturbador
No momento da partida
A chuva quis ser uma querida
E ofereceu-nos um arco-íris multicor.

terça-feira, 13 de abril de 2010


Passaste amor à minha beira
E eu não sei se foi brincadeira
Mas não me vieste falar
Fiquei triste e a pensar
Porque não olhaste para mim

Meu coração ficou magoado,
O meu sorriso fez-se rogado
E agora, como acalmo a minha dor?
Diz-me, porque eu não sei amor

Vou iludir-me, vou mentir sem piedade
Tudo é melhor a aceitar a verdade
E quando nos voltarmos a cruzar
Vou ser eu quem te vai ignorar
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