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segunda-feira, 24 de junho de 2019

O chão é pedregoso


Não enxergo o caminho que piso
Sinto que vou acabar no abismo
Oiço ao longe choro e riso
Foi tudo destruído pelo vandalismo

O frio entranha-se até à alma
As mãos têm pouca sensibilidade
Na escuridão não se vê vivalma
Não parti totalmente e já sinto saudade

O chão é duro e pedregoso
Vou arrastando algo com meus passos
Se me deparar com alguém perigoso
Temo acabar em pedaços

Sigo o caminho quase moribunda
A coragem ameaçou que me vai abandonar
Estou quase a deixar-me ficar em terra funda
As conquistas nunca me deixaram ganhar

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Desmoronar


Deixaste no ar o teu perfume
Mas não levaste o ciúme
Que fez desmoronar esta habitação
As paredes ainda permanecem de pé
Eu acredito e não perco a fé
De conseguir uma reconstrução

Os vidros das janelas
Repletos de mazelas
Não deixam ver o exterior
A claridade não se sente convidada
A tua destruição aclamada
Repele qualquer brisa ou calor

As portas já não servem de escudo
O próprio som ficou mudo
Esmagaste a tua pouca dignidade
Que a estrada por onde vais
Não aconchegue teus ais
Nunca vais sair da mediocridade

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Menino Sardento


Uma corda a amarrar os livros
Uma boina a segurar os cabelos
Aprende a desviar-se dos perigos
As calças a bailar nos tornozelos

Menino de cara sardenta
E um sorriso travesso
No bolso vê-se a sebenta
Mas a casaca vai do avesso

O mundo diz que vai ser seu
Ser catraio não dura os eternos
Por agora deixa-se ser plebeu
E vai rabiscando os cadernos

Na escola com o seu regimento
As brincadeiras são do mais audaz
Na sala de aula o ensinamento
Vai incutindo o homem ao rapaz

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