Cultiva-se em
demasia a indiferença
E muitos ainda caem
no conto do vigário
Chega a ser
inacreditável quem diz tudo o que pensa
Mas o mundo é
insólito até prova em contrário
Cultiva-se,
desalmadamente, o desapego emocional
Criam-se costumes
incoerentes e alienados
Há os que julgam
que já perceberam o sinal
E os que vivem
convencidos que já foram coroados
Cultiva-se, sem
fundamento, a mania da perseguição
Seguem-se leis
aprovadas por pseudo-soberanos
No fim de contas
ninguém segue a instrução
Porque só se regeram
pela cor dos panos
Cultiva-se o
trajecto no caminho de asfalto
Mas foi a terra
batida que os criou
Cultiva-se a
ostentação bem lá no alto
E esqueceram-se que
o bem nunca se plantou

