Acordei
de alma dorida e vazia
Espero
que seja curta a estadia
Sinto-me
sem meta nem direcção
Preciso
encher esta oca sensação
Saio
em busca da causa da minha maleita
Vagueio
pelas ruas, parece que algo me espreita
Não
reconheço os rostos com que me cruzo
Porque
me olham assim? que abuso!
Faço
uma pausa para descansar o esqueleto
Sento-me
à sombra, num banco preto
Tento
organizar os passos a seguir
Qual
a melhor táctica para prosseguir
A
meio da tarde penso no regresso
Admito,
não fiz nenhum progresso
Este
vazio, espero, seja passageiro
Se
não for, amanhã alicio-o com dinheiro
Chegada
a casa, meu lar, meu castelo
Tratadas
as tarefas, calcei o chinelo
Ocupar
o corpo e, maioritariamente, a cabeça
Faz
um bem danado ao mal que se padeça
Quando
a noite chegou, a alma estava curada
A
causa, se existiu, certamente ficou desvendada




