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sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Como cem velas


Os degraus estão danificados

Não sei onde colocar os pés

Do cimento ainda restam bocados

O restante foi engolido pelas marés

 

A vista ainda é bela e despretensiosa

Não se deixou abalar pelas desilusões

A alma é sempre mais corajosa

Quando não se define pelas falsas opiniões

 

Apesar do vento duro e majestoso

Nascem papoilas, humildes e singelas

Mesmo o caminho sendo escuro e rugoso

A coragem ilumina-nos como cem velas


 

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Esticar o fio

 


Olhamo-nos muito pouco

E como um assumido louco

Remediamos a situação

As desculpas vêm à tona

Certinhas como uma sanfona

Passaram a ser uma obrigação

 

Não caminhamos na mesma estrada

Dizemos que a vida é tramada

E que os nossos compromissos andam trocados

Deixámos este amor passar de validade

Mas somos bons a iludir a felicidade

E ninguém suspeita que da mentira somos doutorados

 

Os nossos sorrisos já não terminam num beijo

Já não sonhamos com uma entrada em azulejo

Fomos rápidos a extinguir o fogo que parecia não cessar

Já não nos chamamos de amor em cada telefonema

Idiotas, fiámo-nos num inútil e triste esquema

Agora, vamos esticando o fio até ele quebrar


terça-feira, 7 de julho de 2020

O Futuro da Humanidade

Se o futuro deste mundo em crescente fome do mal

São os, indiferentes, jovens que vivem no virtual

Não sei o que pensar da pobre humanidade

Se a salvação de um planeta mais ponderado

Depender da juventude com um vício acelerado

Temo pelos vindouros, pela sua sanidade

 

A geração do não quer, do não faz, do não há problema

Está a gerar uma onda de gente lerda e sem dilema

O medo perdeu o reinado da credibilidade

Clamo preces ao universo, peço amparo

Que lance sobre os jovens um disparo

Abra as mentes e inutilize a ociosidade


segunda-feira, 27 de abril de 2020

Um peso inútil


Sei que foi num dia de feriado
Lembro-me dos chuviscos e estava nublado
Disseste-me com a maior descontração
Que ias partir, sem mim e, sem noção
Talvez fossem segundos ou minutos
O tempo que agiste como os putos
Depois disso sei que te virei as costas
Nada merecias, nem perguntas nem respostas
Posso afirmar com perfeita lucidez
Que a atitude, fruto da tua pequenez
Fez-me enxergar com muita claridade
Que nunca me trouxeste a felicidade
Eras apenas um peso que carregava
E que já há muito tempo durava
É como quem se quer precaver do perigo
Diz-me com quem andas e eu não vou contigo

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Se eu fugisse

Fonte: Google Images

Se eu fugisse pela multidão
Assim sem medo, sem ilusão
Aposto que nem me vias passar
Nem saberias que não decidi ficar

Se eu chegasse ao outro lado
Mesmo pelo caminho errado
Sei que não te iria escrever
Chega de mim não quereres saber

Se eu construísse o meu castelo
Com tudo o que acho de belo
Não te iria informar a morada
Nunca caminhaste na minha estrada.

terça-feira, 28 de julho de 2015

ERGUER (vou renascer)

(imagem retirada da internet)


Quebraste meu sonho real
Sem culpa, sem cuidado
Acabo por pensar que o mal
Viveu comigo disfarçado.

Vou erguer meu novo império
Não penses que morri rendida
Vou tomar-me mais a sério
Traçar meu rumo, não estou perdida.

Reparei que minha alma
Renasceu com esta dor
Transpareço beleza e calma
Fiquei vingada, meu amor.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O ABISMO

Passei tão perto do abismo
Mas resolvi virar à esquerda
Deixei-me do pessimismo
E do sentimento de perda

Senti-lhe o cheiro a solidão
A vazio, a infinito
E por momentos, creio que em ilusão
Ouvi lá no fundo o meu grito

O céu que o toldava era pesado
E nem o sol se atrevia a brilhar
Assim passavam os dias no abismo
Sem nem sequer uma estrela a iluminar

Antes de chegar ao fim da estrada
Parei uns segundos para ouvir
Era o meu nome que chamava
E aos berros perguntou-me se estava a fugir

Não! Respondi também aos berros
A minha história não passa por aí
Por muito que já me tenhas tentado
Sou mais forte que o que vês aqui

Proíbo-te de me voltares a chamar
Desiste! A minha alma é forte
Não levas nada desta caminhante
Nem tão pouco a carcaça após a morte

E depois de me ter posto à prova
Em tão invulgar desafio
Prossegui a minha caminhada
Com vontade, cuidado e com brio

quinta-feira, 22 de maio de 2008

ESTA DOR

Esta dor que me consome
Me devora e me tortura
Foste tu que a causaste
E há-de levar-me à loucura.

Meus dias são infindáveis
Como estas lágrimas que derramo
Meu coração foi posto à prova
Por aquele que mais amo.

Estou a morrer por dentro
E cada dia é pior
Já não te sinto tão perto
Estou a perder-te, Amor.

Já não sei o que fazer
Sinto-me dividida
Não sei se me deixe morrer
Ou se lute por ti, minha vida.
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