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sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Como cem velas


Os degraus estão danificados

Não sei onde colocar os pés

Do cimento ainda restam bocados

O restante foi engolido pelas marés

 

A vista ainda é bela e despretensiosa

Não se deixou abalar pelas desilusões

A alma é sempre mais corajosa

Quando não se define pelas falsas opiniões

 

Apesar do vento duro e majestoso

Nascem papoilas, humildes e singelas

Mesmo o caminho sendo escuro e rugoso

A coragem ilumina-nos como cem velas


 

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Desviei-me


Ontem não me desculpei
Não admiti que errei
Hoje a alma pesa no peito
A cabeça nem descansou no leito

Ontem perdi-me no labirinto
Da desprezível ociosidade
Hoje não me sabe o que sinto
Sou como um recluso em liberdade

Ontem lembrei-me de Ti, Senhor
Mas desviei-me do meu dever
Hoje espero ter o Teu clamor
No Teu caminho não me vou perder.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Chora, deixa chorar

Fonte: Google Images

Chora que faz bem
Deixa a água correr
Só não sabe quem não tem
Como é triste sofrer

Chora, deixa chorar
Assim lava a escuridão
Nem sempre apetece cantar
Mesmo já sabendo a canção

Chora, extravasa
Deita cá para fora
A panela estando rasa
Verte sem demora

Chora ao teu jeito
Deixa a cara molhada
O peso que sai do peito
Torna a alma menos pesada.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Alma, até Almeida

Fonte: Google Images

O dinheiro é que comanda a alavanca
Que sem piedade governa o mundo
A democracia já bateu no fundo
E a liberdade segue manca não manca

O poder está nas mãos erradas
A pobreza está em expansão
Triste daquele que não poupa um tostão
E que em cada esquina vê encruzilhadas

Alma, até Almeida
Do medo nascem os heróis
Seremos mais brilhantes que mil sóis
E gigantes como uma cefeida.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Quem não tem Alma

Fonte: Google Images

Quem não se olha ao espelho
Ou olha para o do vizinho
Depressa se faz velho
Por andar em mau caminho

Quem julga logo à primeira
Sem ponderar estar errado
É pior que uma semana inteira
Sem direito a nenhum feriado

Quem não olha nos olhos
Com medo de se desvendar
É como uma saia aos folhos
Com a bainha a querer se desmanchar

Quem não ajuda na aflição
Nem se comove com a desgraça
Quando for chamado à razão
Já não lhes querem nem a carcaça.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A nossa Alma

(imagem retirada da internet)

A nossa alma é enorme
Nela cabe o mundo inteiro
Às vezes parece que só dorme
Mas madruga como o padeiro

A nossa alma é imensidão
É um céu infinito
Faz do amor a sua nação
E do juízo o seu perito

A nossa alma é multifacetada
É quem comanda as operações
Sabe jogar a última cartada
Não precisa justificar as razões.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Hoje sinto...


Hoje sinto frio
E um enorme vazio
Que não querem desaparecer
Nem o calor do fogão
Ou o barulho da televisão
Ajudam a resolver

Hoje sinto uma fome
Que me consome
E me deixa à toa
Nem o pão ou a fruta
Conseguem dar luta
E saciar uma pessoa

Hoje sinto sonolência
E uma dormência
Que me deixam moribundo
Hoje fiz greve à vida
Não espero contrapartida

Quero é sossego no meu mundo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010



Certa noite, já altas horas
Alguém gritava por mim
Com preguiça e sem vontade
Fui ver quem me chamava assim

Fui espreitar pela janela
“Mas quem é que me chama?”
Nada vi, ninguém ouvi
“Mas quem raio me tirou da cama?”

Bateram à porta pausadamente
Sem uma palavra se ouvir
“Então vai dizer quem é?”
“Ou vou voltar a dormir?”

Se soubesse não tinha perguntado
Quem comigo queria falar
Pois quando soube quem do outro lado falava
Senti o corpo todo a gelar

“É o Diabo quem vem falar contigo
Tenho uma proposta a te fazer
Estou interessado na tua alma
Por um acaso não a queres vender?”

“Olha podes ir por onde vieste
Aqui não há comércio aberto
Ias ter tantos ouvintes
Como água no deserto”

Ouvi um pequeno rosnar
E percebi que lentamente se afastava
Devia ser do peso do rabo entre as pernas
E da derrota que consigo levava

Que bom foi voltar a adormecer
Com a minha alma juntinha a mim
Há-de sempre me acompanhar
No bem, no mal, até ao fim

quarta-feira, 30 de setembro de 2009



Na esquina da rua de cima
Alguém chora, pois oiço chorar
Seu choro entoa na rua
E até faz as pedras clamar

As lágrimas que vão caindo
Correm sem rumo nem freio
Em pouco tempo inundarão a rua
E nem se salvam as pedras do passeio

Quem será que chora assim
Não haverá ninguém que queira ajudar
Será que devo subir a rua
E ver se consigo aquele choro calar

Já se tornou ensurdecedor
Tamanho choro de aflição
É melhor tomar uma atitude
Se quero conservar a minha audição

“Quem é e porque chora?”
Perguntei bem alto para me fazer ouvir
“sou a tua alma, não me conheces o choro?
Choro porque já não me fazes sorrir.”

domingo, 11 de maio de 2008

MEU GUIA

És meu guia, és meu mapa
Não sei seguir sem te ver
Acolhe-me, leva-me assim
É bom ir a dois, sem perceber.

Minha meta foi destruída
Pelo meu medo e insegurança
Causei em mim “o estar perdida”
Perdi demais, até a esperança.

Por isso preciso de ti
Para me guiar nesta jornada
Sozinha sinto-me assim
Presa, fraca e amarrada.

Meu coração ganhou vida
Neste rumo lado a lado
E a minha alma ficou rendida

A ti meu guia, meu pecado.
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