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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Data de Validade

 


Se tivéssemos nascido com a data de validade visível

Tatuada nas costas da mão em tinta preta bem carregada

Cada vez que apontássemos o dedo de forma desprezível

Talvez nos lembrássemos que a vida não é para ser odiada

 

Se todas as noites ao deitar olhássemos a data

E soubéssemos que somos apenas um viajante

Talvez conseguíssemos dar mais valor à prata

Porque nem tudo o que brilha é ouro ou diamante

 

Se ao lermos a data de quem nos estende a mão

Não julgássemos só porque estão vazios os dedos

Talvez aprendêssemos a reconhecer a necessidade do irmão

E a aprender a evitar os estragos causados pelos segredos

 

Se ao nascer de cada dia sorríssemos ao ver a data de validade

Sabendo que estamos a fazer o melhor pelo tempo de estadia

O mundo transbordaria de um excesso de humanidade

E a altura da partida seria apenas uma mudança de moradia


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Rasguei o Céu


Rasguei o céu sem pedir licença
Agora aguardo a minha sentença
Mas soube-me melhor que chocolate
Queria encontrar a paz celestial
Se dizem que de cima vem o sinal
Na minha atitude não vi disparate

Rasguei o céu, mas com cuidado
Sempre fui bem-educado
Decidi concretizar o meu desejo
Muito boa gente não percebeu
Julgou-me pior que a um ateu
Fizeram do meu erro um cortejo

Rasguei o céu e encontrei
Nada disse do que achei
À fava os que me condenaram
O rasgo não causou dano maior
Prestei contas ao meu major
Incompreendidos os que me julgaram

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Apontar o dedo

Fonte: Google Images



Gostas de me apontar o dedo

Achas-te sempre melhor

Mas sabes, não tenho medo

Tu serás sempre pior



Gostas de me julgar

Acreditas que sabes demais

Não aprendeste a estudar

Nem sabes usar os pedais



Gostas de ser superior

E de me olhar de cima

Tenho pena do teu interior

Mais azedo que lima.
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