Se tivéssemos nascido com a data de validade visível
Tatuada nas costas
da mão em tinta preta bem carregada
Cada vez que
apontássemos o dedo de forma desprezível
Talvez nos
lembrássemos que a vida não é para ser odiada
Se todas as noites
ao deitar olhássemos a data
E soubéssemos que somos
apenas um viajante
Talvez
conseguíssemos dar mais valor à prata
Porque nem tudo o
que brilha é ouro ou diamante
Se ao lermos a data
de quem nos estende a mão
Não julgássemos só
porque estão vazios os dedos
Talvez
aprendêssemos a reconhecer a necessidade do irmão
E a aprender a
evitar os estragos causados pelos segredos
Se ao nascer de
cada dia sorríssemos ao ver a data de validade
Sabendo que estamos
a fazer o melhor pelo tempo de estadia
O mundo
transbordaria de um excesso de humanidade
E a altura da
partida seria apenas uma mudança de moradia
