Soprei um segredo
ao vento desvairado
Não apreciou o meu
gesto e mostrou o seu desagrado
Fiz-lhe entender o
porquê de tal atitude
Não quis causar
mal, nem lhe roubar saúde
Continuou
desvairado, desinteressado na explicação
Avivou a ventania, pobre
pseudo-furação
O segredo não é
escandaloso, nem para lá caminha
Vento danado de
teimoso, não insistas na ladainha
És bom para
desabafar o peso da minha alma
Levando pelo ar aquilo
que não me acalma
Sê agradável com
quem te procura
Não te tornes num
enfadado sem cura
Permite-me
continuar a soprar-te os meus segredos
São inofensivos,
saudáveis, livres de bruxedos
Gosto de quando
ventas com um cuidado maternal
Podes não notar,
mas é sempre um bom sinal

