AVISO

É expressamente proibida a cópia ou reprodução em parte ou na totalidade do conteúdo deste blog, sem prévia autorização, estando reservados os direitos de Autor.

Para utilização de qualquer poema, é favor contactar a Sociedade Portuguesa de Autores..pt.

A Autora,

Isabel Mendes (Isamar)

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Pedi licença à tristeza


Pedi licença à escuridão da madrugada
Para partir um pouco mais cedo
Hoje falta-me ver luz na enseada
Preciso dar um fim a este medo

Pedi licença ao nevoeiro intenso
Para se dissipar com mais rapidez
Eu sei que consigo, mas quanto mais penso
Acabo sempre aliada à pequenez

Pedi licença à tristeza que me acompanha
Sugeri-lhe que tirasse um dia para férias
Finjo que gosto dela, mas faço manha
Causa-me mal-estar e entope-me as artérias

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Torneira a pingar

A torneira do lavatório
Do, já lotado, sanatório
Não pára de pingar
Já chamaram o canalizador
Que não soube qual a dor
Nem qual o mal a tratar

Os pacientes já se habituaram
Nem sequer reclamaram
O pingo não faz muito alarido
O pior, diz a direcção
São os custos de manutenção
Deixa qualquer um espavorido

Arranjaram um chico esperto
Que ao olhar bem de perto
Soube como lhe dar sumiço
Tapa-se a boca da torneira
Com fita-cola ou de outra maneira
E informa-se que está fora de serviço

sábado, 30 de novembro de 2019

A casa que foi nossa


Nos mosaicos da casa que foi nossa
Alguém pintou um coração partido
Não é que me afecte, mas faz mossa
Estou a tentar ultrapassar, sem alarido

O telhado da casa que nos pertenceu
Começou a ceder ao abandono
Desistiu de encobrir o mal que aconteceu
Já não vai resistir a este outono

As janelas da nossa casa encantada
Estão estilhaçadas e desprovidas
A vida que prometeste requintada
Nunca conheceu senão as feridas

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...